Economia

Brasil bate recorde com 82 milhões de endividados após fim do Desenrola

O Brasil atingiu a marca histórica de 81,7 milhões de pessoas com contas atrasadas em fevereiro deste ano, o maior contingente de endividados desde 2012. O número representa um salto de 9 milhões de novos inadimplentes desde maio de 2024, quando terminou o programa Desenrola do governo federal.

A inadimplência na carteira de crédito das pessoas físicas bateu 5,24%, o maior nível em 14 anos. O índice inclui contas com mais de 90 dias em atraso e empréstimos imobiliários.

Desenrola durou 10 meses

Promessa de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado em julho de 2023 para combater a inadimplência pós-pandemia. Na época, o país tinha 71,4 milhões de inadimplentes, segundo dados da Serasa.

O programa durou cerca de 10 meses e atendeu 15 milhões de pessoas — metade da meta inicial de 30 milhões. Foram renegociados R$ 53,2 bilhões, equivalente a apenas 0,5% do PIB.

Entre o público-alvo (pessoas com até dois salários mínimos ou inscritas no Cadastro Único), o programa reduziu o número de inadimplentes de 25,2 milhões para 23,1 milhões.

Cartão de crédito lidera dívidas

O cartão de crédito representa 26,7% do total de pendências, fazendo os bancos aparecerem como principais credores. Em seguida vêm as operadoras de energia e água, com 21,3% dos inadimplentes.

Segundo especialistas, o crescimento da inadimplência é impulsionado pelos juros altos, oferta agressiva de crédito pelas instituições financeiras e a explosão das bets.

Governo estuda nova versão

O Ministério da Fazenda debate agora uma reedição do programa para socorrer endividados em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A nova versão pode oferecer descontos de até 80% nessas modalidades.

“O governo tomou uma medida paliativa, que não interrompeu o ciclo que promove o endividamento”, diz a economista Ione Amorim, consultora do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor).

Para especialistas, o programa atacou apenas os sintomas do superendividamento, sem focar nas causas estruturais do problema. A execução também enfrentou barreiras digitais que dificultaram o acesso da população mais pobre.

Publicidade
Botão Voltar ao topo