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Santa Catarina sanciona lei que proíbe cotas raciais em universidades públicas

Decisão gera críticas de universidades e do Ministério da Igualdade Racial; Udesc afirma que medida é inconstitucional

O governo de Santa Catarina sancionou nesta quinta-feira (22) uma lei que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades públicas e também em instituições privadas que recebam recursos públicos. A nova norma prevê multa de R$ 100 mil por edital que descumpra a determinação.

A medida afeta diretamente a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), instituições do sistema Acafe e faculdades privadas que recebem verbas do programa Universidade Gratuita ou do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).

Udesc e especialistas criticam medida

A Udesc lamentou a sanção e afirmou que a lei fere a autonomia universitária, representa um retrocesso social e científico, e ignora as desigualdades históricas. Em nota oficial, a instituição reafirmou seu compromisso com a inclusão e a democratização do acesso ao ensino superior, destacando que os resultados das ações afirmativas têm sido positivos e comprovados.

Lei exclui cotas raciais, mas mantém outras

Apesar de vetar cotas raciais, a lei permite a reserva de vagas para:

  • Pessoas com Deficiência (PCD);

  • Estudantes de escolas públicas estaduais;

  • Critérios exclusivamente econômicos.

O autor da proposta, deputado Alex Brasil (PL), defendeu que “universidade não é espaço de militância, mas de mérito”, afirmando que a nova regra devolve seriedade ao ensino superior.

Governo estadual e Ministério divergem

Em nota, o governo catarinense disse que a sanção levou em conta “concorrência justa”, “meritocracia” e “respeito à decisão da Alesc”.

Já o Ministério da Igualdade Racial, liderado por Anielle Franco, declarou que a medida é inconstitucional e acionará a OAB para discutir medidas jurídicas. Segundo a pasta, as cotas raciais são a maior política reparatória do país e têm impacto comprovado na inclusão e mobilidade social.

A sanção provocou reações em todo o país e promete abrir novo debate jurídico e político sobre o futuro das ações afirmativas no Brasil.

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