
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã colocou os mercados globais em alerta e pode gerar reflexos diretos na economia do Rio Grande do Sul. Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Caso haja interrupções ou restrições na região, o impacto imediato ocorre no preço da energia e nos custos logísticos, o que tende a atingir diferentes cadeias produtivas.
Segundo o economista Moisés Waismann, professor da UniLaSalle, a redução na oferta de energia global provoca um efeito em cadeia na economia.
“Imagina que, de uma hora para outra, diminuímos em 20% o suprimento de energia do mundo. Isso é muito forte. Significa que as organizações e as indústrias terão menos energia.”
A instabilidade internacional já elevou fretes e seguros de transporte, além de alterar rotas aéreas e marítimas.
Agronegócio
O agronegócio aparece como o setor mais sensível no Estado.
Parte dos fertilizantes nitrogenados, como a ureia, depende diretamente do preço do gás natural e do petróleo. Com energia mais cara, os custos de produção de culturas como soja e milho tendem a subir.
Como esses grãos são base para ração animal, o impacto pode se estender para:
-
produção de carne
-
leite
-
ovos
Outro ponto de pressão é o diesel, que encarece o transporte da produção até os portos.
Máquinas e implementos agrícolas
A indústria gaúcha de máquinas agrícolas também pode ser afetada.
A elevação da demanda global por aço, impulsionada por conflitos e aumento da produção militar, pode reduzir a oferta e elevar preços do insumo.
Além disso, produtores rurais com margens mais apertadas tendem a adiar a compra de equipamentos, o que pode desacelerar a indústria metalmecânica, especialmente no noroeste do Estado.
Setor coureiro-calçadista
O setor calçadista gaúcho, fortemente voltado à exportação, pode enfrentar impactos em três frentes:
-
aumento de fretes e seguros internacionais
-
alta no custo de insumos derivados do petróleo
-
possível queda no consumo interno
Com combustíveis e alimentos mais caros, as famílias tendem a priorizar gastos essenciais.
Vestuário
O setor de vestuário enfrenta cenário semelhante ao do calçadista, mas com maior dependência do mercado interno.
Em um ambiente de inflação de custos, o consumo de roupas tende a cair, o que pode provocar:
-
redução nas vendas do comércio
-
aumento de estoques
-
ajuste na produção
Pequenos lojistas e confecções costumam sentir esses efeitos de forma mais rápida.
Polo petroquímico
O impacto também pode atingir diretamente o polo petroquímico, já que o petróleo é a base de diversos produtos industriais.
A volatilidade do barril e possíveis restrições em rotas estratégicas aumentam a incerteza nos contratos e pressionam custos de produção.
Isso afeta cadeias ligadas a:
-
resinas plásticas
-
embalagens
-
insumos industriais
Inflação de custos
Segundo Waismann, o cenário caracteriza um quadro de inflação de custos, provocado pelo encarecimento da energia e da logística internacional.
Nesse contexto, a alta de preços ocorre por restrições na oferta, e não por aumento da demanda. Por isso, medidas como elevação da taxa básica de juros tendem a ter efeito limitado sobre a origem do problema.






