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O encantadense que atravessou a maior praia do mundo — e saiu de lá noivo

Encantadense conclui 226 km da Extremo Sul Ultramarathon, prova concluida em 36 horas.

O assessor de negócios do Sicredi Região dos Vales, Luis Henrique da Costa Gazzi, viveu no último fim de semana uma das experiências mais intensas e transformadoras de sua vida ao completar os 226 km da Extremo Sul Ultramarathon, uma das provas mais desafiadoras do Brasil. O percurso atravessa a maior praia contínua do mundo, entre a Barra do Chuí e o Cassino, no extremo sul gaúcho.

Após mais de 36 horas enfrentando vento, solidão, areia e desgaste físico extremo, ele encerrou a jornada protagonizando um momento emocionante ao pedir a namorada Évili em casamento na linha de chegada. Realizada no dia 21 a 23 de novembro, a ultramaratona exige autossuficiência dos atletas em um cenário inóspito, de clima imprevisível e longos trechos sem referências visuais. A prova tem limite máximo de 52 horas e apenas seis bases de apoio distribuídas a cada 32 a 37 km. A largada ocorreu no Chuí, às 11h, conduzindo os participantes por um corredor infinito marcado apenas pelo mar e pelo vento.

Luis participou pela primeira vez, mas sua preparação foi construída ao longo de dois anos. Ele acumulou treinos de alta quilometragem e concluiu outras ultramaratonas importantes em 2025, como a Travessia Torres–Tramandaí (84 km), a Ultramaratona Caminhos de Caravaggio (104 km) e a Vaca Backyard em Porto Alegre (87 km). Somente neste ano, o aplicativo Strava registrou mais de 4 mil quilômetros percorridos em treinos e competições.

Durante a prova, os momentos mais duros vieram no km 97, na base do Farol do Albardão, onde a longa antecipação visual do farol, visto ainda a 20 km de distância, testou o psicológico. O desgaste também se intensificou nos quilômetros finais, quando a cidade surgia no horizonte sem, no entanto, parecer se aproximar. Entre os riscos capazes de tirar atletas da prova, Luis destaca bolhas nos pés, hipotermia, falta de energia e desidratação. Para evitar esses problemas, adotou uma estratégia rigorosa de cuidados com os pés, trocas de roupas, alimentação constante e paradas rápidas nas bases.

Mesmo assim, o corpo cobrou seu preço. Após o km 160, ele já não conseguia mais correr e completou os últimos quilômetros caminhando em ritmo forte. Apesar disso, garante que nunca cogitou desistir. Cada passo significava estar mais próximo da conquista. Com 82 atletas na largada, sendo 58 homens e 24 mulheres, Luis terminou em 10º lugar geral e 8º entre os homens, um resultado expressivo para sua primeira participação. Mais do que a colocação, ele destaca o espírito de união e solidariedade que define as ultramaratonas, onde atletas frequentemente se ajudam ao longo da trajetória. Ele também elogia o trabalho dos staffs, que se esforçam para oferecer suporte, motivação e conforto dentro das limitações de uma prova tão extrema.

A chegada, porém, reservava o capítulo mais marcante da aventura. Tremendo de cansaço, mas cheio de emoção, Luis ajoelhou-se e pediu Évili em casamento, arrancando aplausos do público. “Consegui me ajoelhar mesmo sabendo que poderia me dar uma baita cãibra. Mas deu tudo certo”, conta. Para ele, a Extremo Sul Ultramarathon não foi apenas uma prova, mas uma vivência profunda de superação, uma travessia emocional, espiritual e mental. É uma experiência que redefine limites e transforma quem se permite enfrentar o chamado ‘Abismo Horizontal’. “Tenho certeza de que nunca mais serei o mesmo depois dessa prova”, resume.

Depois de andar
226 km em 36 horas,
– sem dormir! – na
chegada a namorada
é surpreendida com o
pedido de casamento.

Por Amanda Rech

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