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Vazamento revela rostos de centenas de mortos em protestos contra o regime iraniano

Centenas de fotos de vítimas desfiguradas foram mostradas a familiares em Teerã; estima-se mais de 4 mil mortos

Fotos dos rostos de centenas de mortos durante a repressão aos protestos no Irã foram vazadas e mostradas à imprensa internacional. As imagens foram tiradas em um necrotério de Teerã, onde famílias tentam identificar seus entes queridos. Estima-se que mais de 4 mil pessoas tenham sido mortas desde o início dos atos contra o governo.

Identificação sob trauma

O material vazado mostra rostos inchados, feridos e irreconhecíveis de ao menos 326 vítimas, incluindo mulheres e adolescentes. Segundo relatos, os corpos estavam desfigurados a ponto de dificultar a identificação visual.

As imagens foram exibidas em telas dentro do necrotério Kahzirak, no sul de Teerã, onde familiares passaram horas tentando reconhecer parentes entre os registros. Muitas vítimas foram classificadas como não identificadas, e em alguns casos, a única forma de identificação era um cartão bancário sobre o saco funerário.

A noite mais violenta

Etiquetas em corpos mostram a data de 9 de janeiro como a mais letal dos protestos na capital iraniana. Naquela noite, manifestantes tomaram as ruas e foram reprimidos com violência.

O bloqueio quase total da internet no país dificultou a divulgação das imagens, que só chegaram ao exterior por meio de canais alternativos como a rede Starlink e conexões com países vizinhos.

Número pode ser ainda maior

Embora as imagens revelem cerca de 326 mortos, fontes ligadas ao necrotério afirmam que o número real pode estar na casa dos milhares. A Agência de Notícias dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, estima mais de 4 mil mortes até agora.

Vídeos do necrotério mostram corpos enfileirados, incluindo vítimas com marcas de tiros e possível violência física. O material foi considerado perturbador demais para exibição pública.

Governo nega responsabilidade

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu milhares de mortes, mas atribuiu a culpa a “insurgentes” e interferência estrangeira.

As manifestações foram intensificadas após convocação de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, em exílio.

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