
O verão chegou trazendo consigo uma rotina mais exposta ao sol. Férias escolares, dias de calor intenso, praia, piscina, deslocamentos mais longos, atividades ao ar livre e jornadas de trabalho sob altas temperaturas passam a fazer parte do cotidiano de muitas pessoas. O sol deixa de ser apenas cenário e passa a ocupar um papel constante na vida diária — nem sempre acompanhado dos cuidados necessários.
É nesse contexto que a insolação se apresenta como um risco real à saúde. Segundo a dermatologista Evódie Fernandes, a insolação ocorre quando o corpo é exposto ao calor e à radiação solar de forma excessiva e prolongada, levando a um aumento perigoso da temperatura corporal central e à falha dos mecanismos de termorregulação.
Diferentemente da exposição solar habitual, que pode ser controlada com limites de tempo e medidas de proteção, a insolação compromete o funcionamento do organismo como um todo e pode representar risco à vida.
Sinais e sintomas
A pele é uma das primeiras estruturas a sofrer os efeitos do calor e da radiação ultravioleta. Vermelhidão intensa, queimaduras solares, dor, ardor e aumento da sensibilidade são sinais frequentes, além da perda da função de barreira cutânea.
Dor de cabeça, tontura, náusea, vômitos, febre, fraqueza, pele muito quente e avermelhada e confusão mental indicam que o organismo já está em sofrimento. Em situações mais graves, podem ocorrer desmaios, convulsões, alteração do nível de consciência, queda da pressão arterial e taquicardia, configurando uma emergência médica. Nesses casos, o atendimento deve ser imediato.
Danos que vão além da queimadura
Além das queimaduras, o excesso de sol pode causar outros danos à pele. A curto prazo, são comuns o eritema solar, o ressecamento, a descamação, a inflamação cutânea e o agravamento de doenças dermatológicas pré-existentes, como rosácea, melasma, lúpus e acne.
A longo prazo, a exposição solar crônica contribui para o fotoenvelhecimento, alterações de pigmentação, danos cumulativos ao DNA celular e aumento significativo do risco de câncer de pele, incluindo carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma.
Como se proteger
Há horários mais seguros para a exposição ao sol. De modo geral, os períodos antes das 10h e após as 16h apresentam menor incidência de radiação ultravioleta. Em dias de calor intenso, a orientação é:
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Reduzir o tempo de exposição
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Buscar sombra sempre que possível
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Usar roupas leves, chapéus de aba larga e óculos escuros
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Manter hidratação adequada
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Evitar atividades físicas intensas sob sol forte
Esses cuidados são válidos mesmo em dias nublados, já que a radiação UV atravessa as nuvens.
Antes da exposição solar, a aplicação de protetor solar de amplo espectro (UVA e UVB), com FPS adequado ao tipo de pele, deve ser feita de forma generosa e reaplicada a cada duas horas ou após sudorese excessiva ou contato com água.
Manter a pele hidratada, evitar produtos que possam causar fotossensibilidade e garantir ingestão adequada de líquidos ajudam a preparar o organismo para o calor.
Após o sol, recomenda-se:
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Limpar a pele suavemente
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Hidratar intensamente com produtos calmantes
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Evitar nova exposição solar imediata
A observação de sinais persistentes, como bolhas, dor intensa ou febre, indica a necessidade de avaliação médica.
Grupos que exigem cuidados ainda mais rigorosos
Crianças, idosos e pessoas que trabalham ao ar livre exigem cuidados redobrados.
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Crianças possuem mecanismos de termorregulação imaturos e pele mais sensível
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Idosos apresentam maior dificuldade na regulação da temperatura corporal e menor percepção da sede
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Trabalhadores expostos ao sol convivem com exposição contínua
A adoção dessas medidas reduz significativamente o risco de insolação, queimaduras solares, desidratação, envelhecimento precoce da pele e câncer de pele, promovendo mais segurança e saúde durante os meses mais quentes do ano.
Por Amanda Rech






