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Pesquisadora do Butantan lidera criação da primeira vacina 100% brasileira contra a dengue

Imunizante de dose única apresentou cerca de 75% de eficácia contra a doença e mais de 90% contra casos graves.

A cientista Neuza Frazzati, do Instituto Butantan, liderou o desenvolvimento da primeira vacina 100% brasileira e de dose única contra a dengue. O imunizante começou a ser distribuído no país após demonstrar alta eficácia contra formas graves da doença.

Décadas de pesquisa até chegar à vacina

Neuza Frazzati atua no Instituto Butantan desde a década de 1980 e construiu a carreira trabalhando no desenvolvimento de vacinas.

A dengue se tornou um dos principais desafios da pesquisadora ao longo dos últimos anos. Desde os anos 2000, o Brasil registrou mais de 18 mil mortes e cerca de 25 milhões de casos da doença, o que pressiona o sistema de saúde.

O resultado do trabalho foi a Butantan-DV, considerada a primeira vacina contra dengue de dose única do mundo.

Alta eficácia contra casos graves

Os estudos clínicos envolveram mais de 16 mil voluntários, acompanhados durante anos.

Os resultados apontaram:

  • cerca de 75% de eficácia contra a dengue

  • mais de 90% de proteção contra casos graves e hospitalizações

O imunizante começou a ser distribuído no país nas últimas semanas. Inicialmente, a aplicação ocorre em grupos prioritários, mas a expectativa é ampliar a vacinação para pessoas entre 15 e 59 anos até o segundo semestre.


Desafio científico complexo

Desenvolver uma vacina contra dengue representa um desafio porque o vírus possui quatro sorotipos diferentes, que precisam ser combatidos ao mesmo tempo pelo imunizante.

A equipe coordenada por Neuza trabalhou durante anos em laboratório até chegar à fórmula atual.

Entre as soluções encontradas está a liofilização da vacina, processo que transforma o imunizante em pó. A substância só volta ao estado líquido no momento da aplicação, o que facilita transporte e armazenamento em um país de dimensões continentais.

Carreira dedicada às vacinas

Bióloga e doutora em Biotecnologia pela Universidade de São Paulo (USP), Neuza já participou do desenvolvimento de outros imunizantes.

Um dos trabalhos anteriores resultou em uma vacina contra a raiva produzida sem uso de tecidos animais, tecnologia licenciada pela Anvisa em 2008.

A experiência acumulada ao longo da carreira ajudou a acelerar o desenvolvimento da vacina contra a dengue.

 “Acho que encontrei minha missão: deixar uma vacina que possa amenizar o sofrimento das pessoas”, afirmou a pesquisadora. 

Vacina pode reduzir casos no país

Especialistas apontam que a vacinação em larga escala pode reduzir significativamente a circulação da doença.

Segundo estimativas citadas por pesquisadores, com metade da população imunizada já seria possível diminuir drasticamente os casos.

Erradicar totalmente a dengue, no entanto, ainda depende do controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

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