Saúde

Polilaminina: o que falta comprovar no tratamento de lesão medular?

Polilaminina é estudada como alternativa para lesão medular, mas eficácia ainda depende de comprovação clínica

Pesquisada há mais de 20 anos no Brasil, a polilaminina voltou ao debate como possível tratamento para lesão medular. Especialistas, porém, ressaltam que a substância ainda está em fase de testes clínicos e não tem eficácia comprovada.

O que é a polilaminina

Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a molécula foi criada para simular, em laboratório, condições que favoreçam a reconexão entre neurônios.

A proposta é estimular a recuperação parcial da comunicação entre cérebro e corpo em casos de lesão na medula espinhal.

Estudos experimentais indicaram potencial regenerativo, o que impulsionou a discussão sobre aplicação em humanos.

O que já foi autorizado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a realização de testes clínicos em humanos, etapa necessária para avaliar:

  • Segurança da substância

  • Dosagem adequada

  • Possíveis efeitos adversos

  • Resultados efetivos na recuperação de movimentos

Sem a conclusão dessas fases, o tratamento não pode ser considerado comprovado ou liberado para uso amplo.

O que ainda falta comprovar

Especialistas destacam que é preciso cautela diante da repercussão pública.

Ainda precisam ser demonstrados, com base científica:

  • A eficácia real na regeneração funcional

  • A duração dos efeitos

  • A replicabilidade dos resultados em diferentes perfis de pacientes

A biomédica e neurocientista Mellanie Dutra afirmou, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, que a expectativa precisa ser acompanhada de rigor científico e transparência nas etapas do estudo.

Etapas obrigatórias

Pesquisas clínicas seguem protocolos internacionais que incluem:

  1. Testes iniciais de segurança

  2. Avaliação em grupos maiores

  3. Comparação com tratamentos já existentes

  4. Análise estatística dos resultados

Somente após essas fases é possível solicitar registro definitivo do medicamento.

Publicidade
Botão Voltar ao topo