Irã cobra US$ 1 por barril para navios passarem no estreito de Hormuz
O Irã transformou o estreito de Hormuz em uma espécie de cabine de pedágio, cobrando US$ 1 por barril de petróleo dos navios que transitam pela região. A medida virou a principal peça de barganha nas negociações de paz com os Estados Unidos, marcadas para sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão.
Na quarta-feira (8), primeiro dia do cessar-fogo de duas semanas entre os rivais, a autoridade marítima iraniana divulgou nova diretriz da Guarda Revolucionária para o trânsito no estreito. Antes da guerra, a região escoava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mercado mundial.
Novas regras de passagem
Segundo as diretrizes, os navios precisam passar por duas novas faixas em águas territoriais do Irã, saindo do golfo Pérsico pelas ilhas militarizadas de Qeshm e Larak. Ao fazê-lo, devem informar a carga transportada e pagar o pedágio equivalente a US$ 1 por barril de petróleo.
O pagamento deve ser feito em criptomoedas, uma ironia considerando que Donald Trump, presidente americano que lançou a guerra contra Teerã ao lado de Israel há cinco semanas, é entusiasta desse modo de pagamento.
Caminho tradicional supostamente minado
O Irã alega que o caminho tradicional, por duas faixas com 3 km de largura em águas de tráfego livre no centro do estreito, está minado. Sem navios caça-minas na região, é impossível verificar a veracidade da alegação, que viola a lei marítima internacional.
Os dados mostram o impacto da medida: apenas cinco navios com cargas não energéticas e um petroleiro iraniano passaram pelo estreito nas primeiras 24 horas da trégua. Antes do conflito, eram de 100 a 130 embarcações diárias.
Tráfego despencou 90%
O número de navios caiu 90% com as hostilidades e os ataques iranianos a embarcações. Nenhum dos navios que passaram desde 28 de fevereiro transportava gás liquefeito. Centenas de embarcações permanecem fundeadas dos dois lados de Hormuz, aguardando a solução da crise.
Pelo acordo com Trump anunciado na terça-feira (7), o Irã deveria reabrir completamente o estreito. Alguns navios tentaram o trânsito, mas a nova cobrança complica o cumprimento do acordo de cessar-fogo.






