Pai de santo e esposa vão a júri por feminicídio e duas mortes no RS

Um pai de santo e a esposa foram pronunciados pela Justiça gaúcha e irão a julgamento no Tribunal do Júri acusados de feminicídio quintuplamente majorado e de dois homicídios quadruplamente qualificados. A decisão, tomada após denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), teve origem na quarta-feira, 2 de setembro.
Segundo a denúncia, as vítimas foram uma jovem de 18 anos, o filho dela — um bebê de dois meses — e um adolescente de 16 anos, amigo da jovem. Exame de DNA comprovou que o religioso é o pai biológico do bebê.
Motivação apontada pelo MPRS
De acordo com o promotor de Justiça Rodrigo Mendonça, o casal teria cometido os crimes para ocultar a paternidade da criança e impedir que a relação extraconjugal do acusado comprometesse a imagem de ambos como referências na comunidade religiosa.
A denúncia do MPRS também aponta que o adolescente foi assassinado para assegurar a ocultação e a impunidade dos crimes anteriores. Segundo a acusação, os réus acreditavam que o jovem sabia que o pai de santo teria se aproveitado da condição religiosa para manter relações sexuais com a jovem sob alegação de que os encontros faziam parte de um ritual — conduta que o MPRS classifica como violação sexual mediante fraude.
Com a pronúncia, o casal segue como réu no processo e aguarda data para julgamento perante o Tribunal do Júri.
Mulheres em situação de violência podem buscar orientação e denúncia pela Central de Atendimento à Mulher, no número 180.






