ERS-129, ponte e hospital: Mazinho destaca avanços e desafios no primeiro ano de governo
No estúdio da TV Força do Vale, em conversa com Nolimar Perondi, o prefeito Jones Wünsch fez um balanço do primeiro ano, apresentou obras estratégicas e traçou metas de reconstrução para Roca Sales em 2026.

O prefeito de Roca Sales, Jones Wünsch, esteve nos estúdios da TV Força do Vale na última terça-feira (03) para uma conversa Sem Roteiro com o colunista e âncora do Força do Vale Nolimar Perondi. Ao longo de mais de uma hora, o chefe do Executivo apresentou um balanço do primeiro ano de governo e detalhou as prioridades para 2026. Formado em Ciências Contábeis, Mazinho, como é conhecido, tem 45 anos, é natural de Roca Sales, casado, pai de dois filhos, de 10 e 4 anos e colorado. Iniciou a vida pública em 2001, passando por diferentes funções na administração municipal, entre elas motorista concursado e secretário da Fazenda. Posteriormente, deixou o serviço público para empreender no setor de transportes, dando continuidade ao negócio da família. Antes da última eleição, nunca havia sido candidato a cargo eletivo.

Da campanha surpresa à estratégia de governo
Mazinho relembrou que não era o candidato inicialmente previsto pelo PP e que assumiu a candidatura poucos dias antes da convenção partidária, após a desistência de um nome mais tradicional na política local. Mesmo enfrentando previsões desfavoráveis, decidiu seguir ao lado do vice Henrique Pivato. “Eu nunca tinha sido candidato. Disseram que eu ia perder de 8 por 1, de 5 por 1. Eu respondi: a vergonha é minha, mas eu vou até o fim.” A vitória, segundo ele, foi uma surpresa até para os próprios aliados. “A gente esperava uma vitória apertada, mas uma vitória avassaladora, que o povo de Roca Sales deu uma demonstração de que sim, é possível”, afirmou. Ao assumir, segundo ele, a estratégia inicial foi apostar em ações básicas — limpeza urbana, cuidado com jardins, organização do Centro — para devolver autoestima à população antes de avançar em frentes maiores.
Infraestrutura
Entre os principais temas da entrevista, a ERS-129 apareceu como uma das conquistas mais relevantes do primeiro ano. O prefeito destacou que a estrada era promessa recorrente em campanhas anteriores e que, desta vez, o projeto avançou com articulação política junto ao governo do Estado e participação ativa da comunidade, especialmente da localidade de Fazenda Lohmann. “Eu nunca prometi que faria a 129. Eu prometi que iria atrás, articular, insistir. E a obra saiu do papel.” A obra faz parte do FUNRIGS (Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul) e integra um pacote no qual o RS deixa de pagar a dívida à União para investir em reconstrução e resiliência. Segundo Mazinho, a expectativa é de que o trecho entre Roca Sales e Colinas esteja concluído até o final do ano. “É uma obra que vai transformar Roca Sales em outro patamar econômico”, avaliou. “Nós estamos duplicando os nossos acessos asfálticos, porque hoje nós temos um, agora passamos a ter dois.”
Centro
Outro destaque foi a construção da nova ponte na área central. Questionado sobre a altura da estrutura, que tem gerado comentários na cidade, Mazinho explicou que o projeto segue critérios técnicos de segurança, ficando cerca de um metro acima da última cota de enchente registrada. “Nós precisamos de uma ligação que não divida mais a cidade. O rio precisa correr.” A expectativa é de conclusão no primeiro semestre.
Rotas turísticas
Sobre a ligação com Coronel Pilar, conhecida na região como Transpolentona, Mazinho informou que o município está em fase de projetos e busca financiamento via PIA (Programa de Incentivo ao Acesso), em que empresas podem destinar parte do ICMS para obras de pavimentação. “Se a gente conseguir começar, mesmo que com dois ou três quilômetros, já é um sinal claro para a comunidade”, disse. A meta inicial é captar cerca de R$ 4 milhões. Já a chamada rota do Pão e Vinho, que liga Santa Tereza a Muçum passando por comunidades de Roca Sales, foi apontada como aposta de integração regional e turismo. Há trechos em execução com convênio do DAER e a proposta é pleitear o restante pelo FUNRIGS. “Se nós tivermos esse sucesso, vai alavancar o turismo na nossa cidade”, projetou.
Reforma do hospital e ampliação da rede básica
A área da saúde ocupou um dos blocos mais longos da conversa. Mazinho destacou a reforma do hospital, que contou com recursos federais parados desde 2018, aporte de R$ 350 mil do Conselho Municipal do Idoso e quase R$ 700 mil de contrapartida municipal. “Uma obra que ficou espetacular”, resumiu. Além da estrutura física, foram adquiridos mais de R$ 830 mil em equipamentos, incluindo Raio-X móvel digital. O prefeito fez questão de agradecer ao secretário Marino Deves, vereador licenciado de Encantado, pelo trabalho na pasta. “É uma pessoa que a gente veio buscar aqui, um excelente profissional que tem profundo conhecimento em saúde pública”, elogiou.
“O cidadão quer atendimento. Ele não quer saber se tem imposto atrasado, ação trabalhista. É um direito dele.”
Mazinho também reconheceu a existência de passivos trabalhistas e tributários no hospital, que está sob intervenção municipal. “Quase mais de um milhão de reais de ações trabalhistas”, informou. A estratégia, segundo ele, é negociar as pendências enquanto mantém o atendimento funcionando. “Quem se sente lesado, procure a Justiça. Mas a conta vem para o município”, ponderou. Na atenção básica, o governo ampliou o atendimento móvel no interior de duas para dez comunidades, com equipe de médico e enfermagem em visitas quinzenais. Também há obras em andamento nas UBS do 7 de Setembro e do 21 de Abril.
Relação com a Câmara
Mazinho agradeceu a parceria institucional com o Legislativo e citou projetos importantes aprovados, como a nova lei da agricultura e o financiamento de caminhões e maquinário. “Roca Sales não precisa mais de escândalo, de brigas políticas. Eu sempre digo isso. Nós precisamos de união e reconstrução”, defendeu. A nova mesa diretora da Câmara, eleita para 2026, é presidida por Gisele Freisleben Horst, em seu primeiro mandato. “Ter duas mulheres na Mesa Diretora é um marco para Roca Sales”, destacou o prefeito, que esteve presente na primeira sessão do ano.
Uma gestão em construção
Ao final da entrevista, Mazinho avaliou o primeiro ano como desafiador, mas necessário para reorganizar o município. “A maioria dos prefeitos foram reeleitos, os prefeitos que tiveram na tragédia foram reeleitos, e a gente embarcou nesse barco com toda a equipe nova”, comparou. “Mas nós superamos esse desafio.” O prefeito encerrou agradecendo aos servidores e à população que confiou no projeto. “A população de Roca Sales pode esperar que nós não descansaremos nem um dia, nem uma hora, nem um minuto pela reconstrução do nosso município”, concluiu.






