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Natural da região e radicado nos Estados Unidos, Jorge Ongaratto conta a saga da Fogo de Chão

Jorge Ongaratto foi recebido nos estúdios do Força do Vale onde concedeu entrevista a Nolimar Perondi. Acompanharam a diretora do jornal Renira Turatti, e os representantes do SOS Habitar Raquel Cadore e Rafael Fontana.

Jorge Ongaratto nasceu na Linha Alegre, entre Encantado e o que hoje é Coqueiro Baixo, terceira geração de imigrantes italianos. Cresceu numa família de 12 irmãos, trabalhando na roça manual. Aos 17 anos, saiu da colônia para trabalhar numa churrascaria. Meio século depois, retorna a Encantado para lançar o livro que conta essa travessia. Na última terça-feira, ele esteve no Perondi Sem Roteiro, onde contou, com generosidade os capítulos de uma trajetória que começa na vida simples rural e termina na bolsa de valores americana.

A dívida que o empurrou para o mundo

O ponto de partida foi necessidade. O pai, endividado com o Banco do Brasil por causa de poucos sacos de adubo que uma seca não permitiu pagar, estava prestes a perder a terra. Os filhos mais velhos saíram para o Rio de Janeiro e São Paulo, onde uma rede informal de colonos da região já operava churrascarias. “Eu saí daqui com ódio do Banco do Brasil. Três, quatro anos depois eu passava aqui e falava: muito obrigado. Porque foi por isso que fui conhecer o mundo”, contou Ongaratto na entrevista. Trabalhou como empregado em diversas casas entre Campinas, Niterói e Rio de Janeiro. Aprendeu compras, liderança, gestão, tudo na prática. Guardava cada centavo.

De um galpão de Santa Fé a um negócio bilionário

Em 1981, quatro sócios — dois Ongaratto e dois Coser, estes de Putinga — compraram um galpão coberto de capim Santa Fé em Porto Alegre. Era a Fogo de Chão, que já existia como um pequeno restaurante com música gaúcha ao vivo. Tinham dinheiro apenas para a entrada; dois ficaram no Rio trabalhando como empregados para garantir o fluxo de caixa. O salto veio quando o jornalista Silvio Lancelotti, da Folha de São Paulo, visitou a casa e publicou um artigo elogiando o trabalho dos jovens gaúchos. Em questão de semanas, os sócios estavam em São Paulo montando a primeira filial. Dali, a expansão seguiu para os Estados Unidos — começando por Dallas, cidade que Ongaratto escolheu pela semelhança cultural entre texanos e gaúchos e por uma rede de contatos que a vida foi costurando no caminho.

Gauchinhos

Levou consigo 12 gaúchos, os “gauchinhos do Jorjão”, que até hoje ostentam o título de originais da operação americana. De Dallas, a Fogo de Chão se espalhou por Houston, Atlanta, Chicago, Beverly Hills, Washington, Nova York e dezenas de outras cidades. Jorge e o irmão venderam suas partes em 2005. A rede seguiu trocando de mãos entre fundos de investimento até a abertura de capital na Nasdaq, em 2015. Hoje é avaliada em 1,1 bilhão de dólares.

Podcast

As histórias que sustentam essa trajetória — o plano cruzado que virou oportunidade, o japonês que ele dispensou por engano, a galinha com pien da mãe que substituía o churrasco que a família não podia pagar, a fé em Nossa Senhora de Guadalupe numa igreja de Dallas — são contadas com detalhes e bom humor na entrevista completa ao Perondi Sem Roteiro #61, no YouTube do Força do Vale.

Serviço

Lançamento do livro Fogo + Paixão — Até Onde Eles Podem Nos Levar
Data: 31 de março (segunda-feira), às 18h
Local: Clube Comercial de Encantado
Jantar: Churrasco gaúcho servido em espetos de laranjeira, no estilo tradicional das festas do interior
Shows: Gaúcho da Fronteira e Paulinho Mixaria
Renda: Integralmente destinada ao projeto SOS Habitar
Livro: Também disponível pela Amazon
Ingressos: ACI-E, CIC Vale do Taquari, PRODEL, Associação Amigos de Cristo, ASEAVALE e OAB Encantado

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