
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, acusou os manifestantes que participam dos protestos no país de agirem para “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As declarações foram feitas nesta sexta-feira (9), em discurso transmitido pela televisão estatal iraniana.
Khamenei afirmou que os protestos envolvem atos de vandalismo e destruição de bens públicos. Segundo ele, os manifestantes estariam influenciados por declarações do governo norte-americano.
“Um bando de vândalos saiu em Teerã e em outros lugares e destruiu prédios pertencentes ao próprio país apenas para agradar o presidente dos EUA”, declarou o líder iraniano.
Crítico histórico do regime iraniano, Donald Trump afirmou nos últimos dias que poderá intervir caso civis sejam mortos durante as manifestações. Khamenei rebateu as declarações, acusando o presidente norte-americano de ter “as mãos manchadas de sangue” em referência a conflitos recentes envolvendo o Irã.
Protestos se espalham pelo país
As manifestações começaram em 28 de dezembro, na capital Teerã, após uma nova desvalorização do rial, a moeda iraniana, frente ao dólar no mercado paralelo. Desde então, os protestos se espalharam por ao menos 17 das 31 províncias do país, segundo análise da BBC Verify.
Imagens verificadas mostram atos contra o governo em mais de 50 cidades, incluindo regiões consideradas historicamente leais ao regime. O número pode ser maior, já que há relatos de protestos em outras 11 províncias.
Número de mortos é incerto
De acordo com a agência HRANA, ao menos 48 manifestantes e 14 integrantes das forças de segurança morreram desde o início dos protestos. Já a ONG Iran Human Rights contabiliza pelo menos 51 manifestantes mortos, incluindo nove crianças.
As autoridades iranianas confirmaram oficialmente a morte de seis membros das forças de segurança. O acesso à informação é limitado, já que a maioria da imprensa internacional é impedida de atuar no país e a internet está praticamente bloqueada desde quinta-feira.
Crise econômica agrava cenário
Os protestos ocorrem em meio a uma grave crise econômica. O Irã enfrenta inflação em torno de 40% e uma moeda em mínima histórica, pressionada por sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear e por problemas internos de gestão e corrupção.
Segundo analistas, o atual movimento representa o maior desafio ao regime iraniano desde os protestos registrados em 2022, após a morte de Mahsa Amini.






