Polícia Civil prende 13 suspeitos de golpe com imagens de crianças com câncer

O Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) da Polícia Civil gaúcha deflagrou nesta terça-feira (14) a Operação Sophia, cumprindo 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em cinco estados. Até o fechamento desta edição, 13 pessoas haviam sido presas.
A investigação teve início após a mãe de uma menina do Vale do Sinos, em tratamento contra o câncer, denunciar que imagens e vídeos da filha estavam sendo usados, sem autorização, em anúncios patrocinados nas redes sociais para arrecadar dinheiro. A família nunca recebeu qualquer valor das supostas doações.
Como o esquema funcionava
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava fotografias, vídeos e relatos reais de crianças com doenças graves para criar campanhas falsas divulgadas em páginas como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”. Uma das mensagens usadas dizia:
“A Sophia tem 5 anos e ainda tem chance. Mas ela precisa de ajuda agora.”
Os anúncios eram impulsionados no Facebook e no Instagram e direcionavam os usuários para páginas falsas que imitavam plataformas legítimas de arrecadação, especialmente o site Vakinha. Ao escolher o valor da doação, a vítima recebia um QR Code Pix ou código copia e cola, mas o dinheiro era transferido para contas controladas pela organização.

Sofisticação e lavagem de dinheiro
As apurações apontam uma estrutura com divisão de tarefas: integrantes responsáveis pela criação e hospedagem de sites fraudulentos, produção de vídeos e anúncios, gerenciamento de redes sociais, impulsionamento de publicações e lavagem do dinheiro obtido. A polícia identificou uso de inteligência artificial, deepfake, clonagem de voz, sincronização labial e remoção de metadados para tornar as fraudes mais convincentes.
Para dificultar o rastreamento, o grupo recorria a empresas de fachada, intermediadoras de pagamento, contas de terceiros e domínios registrados em servidores estrangeiros. Uma empresa apontada como hub financeiro do esquema teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão no período investigado. Apenas na campanha que originou o inquérito, a Polícia Civil rastreou cerca de R$ 294,5 mil arrecadados via chaves Pix e gateways de pagamento.
O que fazer antes de doar
A Polícia Civil orienta cautela antes de realizar doações pela internet. A corporação recomenda confirmar os dados diretamente com a família ou instituição responsável, desconfiar de publicações impulsionadas com forte apelo emocional e verificar se o destinatário da transferência corresponde à campanha divulgada.
As questões sobre eventual atuação do grupo no Vale do Taquari, o envolvimento da Polícia Civil local e orientações específicas para vítimas da região estão sendo apuradas pela reportagem.






