Polícia

PF prende mulher de mafioso e advogado em operação contra tráfico de cocaína para a Europa

A Operação Eredità, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17), prendeu no Brasil pessoas investigadas por integrar uma estrutura criminosa ligada ao tráfico internacional de cocaína. Entre os alvos estão Paula Simões, mulher do italiano Patrick Assisi, e o advogado Patrick Raasch Cardoso, de Santos (SP).

A ação investiga uma rede formada por brasileiros e italianos suspeita de enviar grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para a Europa.

A Polícia Federal informou o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além do sequestro de imóveis e do bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras.

As medidas atingem investigados em São Paulo, São Caetano do Sul, Santos e Americana, no estado de São Paulo, e em Palhoça, Santa Catarina.

Mulher de mafioso é apontada como sucessora no esquema

Paula Simões é mulher de Patrick Assisi, preso no Brasil em 2019 junto com Nicola Assisi. Os dois são relacionados pelas autoridades italianas à ‘Ndrangheta, organização criminosa originária da região da Calábria.

Segundo investigadores brasileiros e italianos, familiares e pessoas de confiança teriam mantido as atividades da estrutura após as prisões de 2019.

Paula é apontada na investigação como uma das pessoas que teriam assumido funções na rede, mantendo contatos relacionados ao fornecimento da droga e à logística das remessas para a Europa.

As suspeitas ainda estão sob investigação e os envolvidos não foram condenados no âmbito da Operação Eredità.

Advogado é investigado por atuação financeira

Outro alvo da operação é o advogado Patrick Raasch Cardoso, com atuação em Santos.

Segundo a investigação, ele teria desempenhado funções relacionadas à movimentação financeira e patrimonial e à comunicação de integrantes da estrutura investigada.

O advogado teria mantido relação profissional com integrantes da família Assisi.

A defesa de Patrick Raasch Cardoso afirma que ele é inocente e informou que pretende buscar na Justiça a revogação da prisão preventiva.

Mais de 4,6 toneladas de cocaína

A Polícia Federal relaciona a estrutura investigada a pelo menos 11 apreensões feitas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína.

Os carregamentos tinham como destino países europeus, entre eles Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.

Cerca de 2,2 toneladas da droga já estavam armazenadas no Brasil quando Patrick e Nicola Assisi foram presos, em 2019. Segundo os investigadores, o entorpecente teria sido posteriormente movimentado pela estrutura reorganizada.

Uma das principais rotas investigadas passava pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, utilizado para o envio de carregamentos ao exterior.

Ligação anterior com o PCC

Investigações anteriores apontaram que integrantes da família Assisi estabeleceram contatos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Brasil para viabilizar a logística do tráfico internacional.

Na atual operação, porém, a Polícia Federal descreve oficialmente a estrutura como uma aliança entre integrantes de organizações criminosas brasileiras e italianas, sem identificar nominalmente a facção no comunicado divulgado nesta quinta-feira.

Cooperação entre Brasil e Itália

A Operação Eredità é resultado do aprofundamento das investigações das operações Retis e Spiderweb e está relacionada às operações Samba e Mafiusi, realizadas no Brasil e na Itália em dezembro de 2024.

A investigação envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, os Carabinieri e o Ministério Público de Turim, além da cooperação entre autoridades dos dois países.

Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes eventualmente identificados no avanço das investigações.

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