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CAPS realiza caminhada no Centro de Encantado em alusão à luta antimanicomial

Usuários e profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) realizaram uma caminhada no Centro de Encantado em alusão à luta antimanicomial, movimento lembrado no mês de maio. A atividade teve como objetivo dar visibilidade ao direito das pessoas com transtornos mentais ao tratamento digno, humanizado e em liberdade.

A caminhada também buscou aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido pelo CAPS, que oferece acompanhamento, medicação, terapia e ações de inclusão social para pessoas em sofrimento psíquico.

Segundo a enfermeira e coordenadora do CAPS, Ana Paula Cendron Barcellos, a luta antimanicomial representa uma mudança importante na forma de cuidado em saúde mental. Antes da reforma psiquiátrica, pessoas com transtornos mentais eram internadas em manicômios e, muitas vezes, permaneciam isoladas por toda a vida, afastadas da família e da sociedade.

“Hoje essas pessoas têm o direito de serem tratadas com dignidade e em liberdade, na cidade onde moram, por meio do Centro de Atenção Psicossocial, com tratamento humanizado e inclusão social”, destacou Ana Paula.

A coordenadora explica que ações como a caminhada ajudam a combater o preconceito ainda enfrentado pelos usuários dos serviços de saúde mental.

“O nosso papel, além de tratar, fornecer medicação e terapia, é também inserir essas pessoas na sociedade. Mostrar que elas podem, que são capazes, que podem caminhar na avenida e ter uma vida digna”, afirmou.

Cuidado humanizado

Durante a atividade, também foi lembrada a trajetória da psiquiatra Nise da Silveira, uma das referências no Brasil no tratamento humanizado em saúde mental. Ela foi pioneira no uso da arte como forma de expressão e cuidado, em contraponto a práticas violentas adotadas em antigos manicômios.

Ana Paula destacou que a arteterapia e outras formas de expressão contribuíram para mudar a forma de olhar para os pacientes.

“Ela começou a perceber melhora nos pacientes que podiam pintar, escrever poemas, fazer música. Esse cuidado mais humanizado ajudou a ver a pessoa de uma forma diferente”, explicou.

Com a reforma psiquiátrica e a criação dos CAPS, o atendimento passou a priorizar o vínculo com a família, a permanência na comunidade e o acompanhamento em liberdade. Em Encantado, o serviço atua nessa linha, oferecendo suporte contínuo e buscando fortalecer a autonomia dos usuários.

A caminhada reforçou a mensagem de que o cuidado em saúde mental deve ser feito com respeito, escuta e inclusão, sem isolamento ou exclusão social.

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