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40 pessoas morrem afogadas na França durante onda de calor extrema na Europa

Países da Europa Ocidental e Central emitiram alertas vermelhos diante de uma onda de calor que deve se intensificar nos próximos dias. Na França, ao menos 40 pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar em áreas sem supervisão.

A França registrou na terça-feira (23) o dia mais quente de sua história, com 44,3 °C em Pissos, na região de Landes. Mais da metade das regiões francesas está sob o nível máximo de alerta meteorológico, e centenas de escolas foram fechadas.

Segundo a ministra dos Esportes e da Juventude da França, Marina Ferrari, muitas pessoas buscaram rios e canais para aliviar o calor sem considerar os riscos. Entre as vítimas está uma menina de 13 anos, que se afogou no rio Sena, na região de Fontaine-le-Port.

Casos de afogamento também foram registrados na Alemanha, onde as temperaturas podem chegar a 40 °C nas regiões oeste e sudoeste até o fim da semana.

Alertas em vários países

A Espanha também enfrenta calor extremo. A Agência Estatal de Meteorologia informou que as temperaturas estão entre 5 °C e 10 °C acima do habitual para o período. Em algumas áreas, os termômetros podem chegar a 44 °C.

No País Basco, foi emitido alerta vermelho. Em San Sebastián, a previsão indica máximas de 40 °C, quase o dobro da média para esta época do ano.

O Reino Unido emitiu um raro alerta vermelho de calor para partes da Inglaterra e do País de Gales, com previsão de até 38 °C. Itália, Suíça e Luxemburgo também adotaram medidas semelhantes.

O que é o domo de calor

A causa imediata da onda de calor é um fenômeno conhecido como domo de calor. Ele ocorre quando uma massa de ar quente fica estacionada sobre determinada região, impedindo a circulação normal da atmosfera.

No caso europeu, o ar quente se desloca a partir do Saara e fica preso sobre o continente por um forte sistema de alta pressão, chamado de anticiclone africano.

Esse sistema funciona como uma espécie de tampa atmosférica. Ele dificulta a formação de nuvens, mantém o sol aquecendo o solo por vários dias seguidos e comprime o ar, elevando ainda mais a temperatura.

Calor mais frequente e duradouro

Cientistas relacionam a repetição e a intensidade das ondas de calor às mudanças climáticas provocadas pela atividade humana, principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás.

A Météo-France aponta que, das 51 ondas de calor registradas no país desde 1947, 34 ocorreram a partir de 2000 e 26 desde 2011.

No Reino Unido, o Met Office estima que eventos recentes de calor extremo são hoje dez vezes mais prováveis por causa das mudanças climáticas. Nos últimos 50 anos, a duração dos períodos de calor quase dobrou.

O mundo está, em média, cerca de 1,4 °C mais quente do que no fim do século 19. Pelas políticas climáticas atuais, o aquecimento global pode se aproximar de 3 °C até o fim deste século, o que deve ampliar a frequência de recordes de temperatura.

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