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El Niño encontra solo mais úmido e aumenta risco de grandes cheias no RS

O avanço do El Niño ocorre em um momento de maior umidade no solo e temperaturas mais elevadas no Rio Grande do Sul, combinação que amplia o risco de grandes inundações nos próximos meses. O alerta consta no segundo boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros órgãos federais.

A situação atual é diferente da observada no começo do último El Niño. Em junho de 2023, o Estado enfrentava a seca mais severa do país, com cerca de 10% do território em condição extrema. Neste ano, a estiagem é mais branda e a temperatura média está 0,4°C acima da registrada naquele período.

Com o solo já abastecido de água, novas chuvas tendem a chegar mais rapidamente aos rios. Isso reduz a capacidade de absorção e aumenta a possibilidade de elevação dos níveis e transbordamentos em períodos de precipitação intensa.

O boletim também aponta que o Rio Uruguai permanece acima da média histórica após as chuvas das últimas semanas. As condições hidrológicas seguem elevadas em diferentes regiões do Estado, com registros de inundações nas bacias dos rios Caí, Taquari, Uruguai e Sinos.

No Vale do Taquari, o rio registrou duas inundações nas últimas semanas, as primeiras de 2026. Os níveis chegaram a 24,77 metros e 23,99 metros.

O histórico recente reforça a preocupação. Entre junho de 2023 e junho de 2024, durante o último El Niño, o Rio Taquari teve dez cheias. Três delas estão entre as maiores já registradas: 33,67 metros, em maio de 2024; 29,53 metros, em setembro de 2023; e 28,94 metros, em novembro daquele ano.

Fenômeno pode ganhar força

Segundo o painel, há indicação de que o El Niño permaneça ativo até o início de 2027. O fenômeno pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, período que exige maior atenção para a ocorrência de chuva volumosa e persistente.

Para o trimestre entre agosto e outubro, a previsão indica precipitações acima da média na Região Sul. As temperaturas também devem ficar mais elevadas em grande parte do país.

Diante do cenário, a orientação é acompanhar os avisos meteorológicos, os níveis dos rios e os alertas emitidos pela Defesa Civil.

Efeitos na agricultura

A maior disponibilidade de água no solo pode favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno e o início do plantio da safra de verão, especialmente de milho e soja.

O excesso de umidade, no entanto, também traz riscos. Chuvas frequentes podem aumentar a ocorrência de doenças fúngicas, dificultar os tratos nas lavouras e atrasar a colheita das culturas de inverno.

Precipitações intensas ainda podem comprometer o preparo das áreas para a próxima safra e provocar a necessidade de replantio em locais atingidos por alagamentos ou erosão.

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