Saúde

Dispositivo permite coletar sangue em casa com pequena perfuração no braço

Uma tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos permite realizar determinados exames de sangue a partir de uma coleta feita em casa, utilizando um pequeno dispositivo fixado na parte superior do braço. O sistema Tasso+, utilizado pela healthtech Rythm Health, faz uma coleta de sangue capilar por meio de uma pequena perfuração e de pressão negativa para conduzir a amostra até um tubo acoplado.

O dispositivo é de uso único. Segundo a documentação da Food and Drug Administration (FDA), o Tasso+ é destinado à obtenção de amostras de sangue capilar em volumes de microlitros. O equipamento possui uma lanceta que realiza a perfuração e se retrai após a ativação, enquanto um leve vácuo auxilia o fluxo do sangue.

A Rythm Health informa que o aparelho é colocado sobre a pele limpa e aquecida da parte superior do braço. Depois da ativação por botão, a pressão negativa conduz o sangue capilar para o recipiente conectado ao dispositivo. A empresa afirma que os usuários normalmente sentem apenas uma breve sensação de pressão ou um pequeno estalo durante o procedimento.

A proposta é facilitar a realização de exames sem que o paciente precise se deslocar a um posto de coleta para uma punção venosa convencional. Depois da coleta, a amostra é encaminhada para análise laboratorial.

A tecnologia, porém, ainda não significa o fim das coletas tradicionais. A principal questão é saber quais marcadores podem ser medidos com precisão suficiente a partir do sangue capilar coletado pelo dispositivo.

Um estudo publicado como preprint em agosto de 2026 comparou amostras obtidas pelo Tasso+ com sangue coletado por punção venosa em 83 participantes. Os pesquisadores analisaram 131 biomarcadores relacionados a doenças neurodegenerativas. Houve correlação muito forte para alguns marcadores, como neurofilamento de cadeia leve (NfL) e GFAP, mas os resultados variaram significativamente entre os diferentes biomarcadores. Para a proteína p-tau217, por exemplo, foi observada pouca ou nenhuma correlação entre as duas formas de coleta.

Os próprios pesquisadores concluíram que o Tasso+ apresentou resultados consistentes para determinados biomarcadores, mas que é necessário ter cautela na utilização da coleta capilar para outros indicadores. O trabalho ainda está disponibilizado como preprint e, portanto, não deve ser tratado como uma validação definitiva para todos os exames.

Outro estudo publicado em 2026 também avaliou a utilização do Tasso+ para a coleta de biomarcadores neurológicos e destacou que a microcoleta capilar pode representar uma alternativa para pesquisas e situações nas quais a coleta venosa é mais difícil, mas que a concordância com o método tradicional precisa ser validada de acordo com cada biomarcador.

O Tasso+ recebeu autorização da FDA em 2022 para obtenção de amostras de sangue capilar em microlitros. A documentação regulatória descreve o equipamento como um dispositivo de uso único e de venda sob prescrição nos Estados Unidos.

A evolução dessa tecnologia ocorre em paralelo a outras inovações na coleta de sangue. Em agosto de 2026, por exemplo, a FDA autorizou o primeiro dispositivo robótico autônomo de coleta de sangue venoso, o Aletta, desenvolvido pela empresa Vitestro. O equipamento utiliza ultrassom para localizar a veia e realiza a punção sob supervisão de um profissional treinado.

As diferentes tecnologias mostram uma tendência de redução da necessidade de procedimentos tradicionais para determinadas situações. No entanto, a coleta venosa continua sendo necessária para exames e aplicações que não podem ser realizados ou validados adequadamente com amostras capilares.

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