Saúde

Estudo alerta para melanomas fora da pele; Sul tem maior incidência da doença

Um estudo da Fundação do Câncer chama a atenção para formas menos conhecidas do melanoma, que podem surgir fora da pele e atingir estruturas como olhos, mucosas e órgãos dos sistemas genital e digestório. Embora menos frequentes, esses tumores apresentam comportamento agressivo e podem ser diagnosticados tardiamente.

Os dados integram a 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, intitulada Melanoma: nem sempre na pele. O levantamento reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento.

Sul lidera incidência de melanoma de pele

O estudo aponta que a Região Sul apresenta a maior taxa de incidência de melanoma cutâneo do Brasil, com 44,4 casos por 1 milhão de habitantes. O índice é mais que o dobro da média nacional, estimada em 19,2 casos por milhão.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 novos casos de melanoma de pele no país. As mulheres representaram 51,3% dos diagnósticos e os homens, 48,7%.

Apesar de corresponder a apenas 4% dos tumores malignos de pele, o melanoma apresenta maior potencial de disseminação para outras partes do organismo.

A exposição à radiação ultravioleta é apontada como o principal fator de risco, especialmente entre pessoas de pele clara e com histórico de exposição intensa ao sol.

Melanoma também pode atingir os olhos

Entre os casos de melanoma fora da pele, o olho foi a principal localização, correspondendo a 75% dos registros analisados. Em seguida aparecem os órgãos genitais, com 12,8%, e o sistema digestório, com 8,2%.

O melanoma ocular merece atenção porque pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando surgem, os sinais podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo de visão e perda visual.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 casos de melanoma extracutâneo no Brasil, sendo 801 em mulheres e 523 em homens.

Diagnóstico precoce aumenta chances de tratamento

A Fundação do Câncer destaca que a identificação precoce da doença é determinante para ampliar as possibilidades de tratamento. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia permanece como principal abordagem inicial para o melanoma de pele.

Entre 2014 e 2023, 84,7% dos tratamentos iniciais registrados no país foram cirúrgicos. A imunoterapia também passou a fazer parte do tratamento de casos avançados, embora o alto custo e o acesso aos medicamentos ainda sejam apontados como desafios.

Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 9.360 novos casos de melanoma de pele no Brasil. Os dados fazem parte das projeções para o triênio 2026-2028.

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