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Da garagem da mãe a uma das maiores revendas multimarcas do Vale do Taquari

A paixão por veículos começou cedo e, aos poucos, transformou-se em profissão. Aos 20 anos, Fernando Radaelli vendeu um Chevette 1988 e uma motocicleta RD 350, os dois bens que possuía, para comprar sete motos. O pequeno estoque foi colocado na garagem da mãe, em Encantado, dando início a uma trajetória que já soma mais de três décadas no comércio de veículos.

Durante entrevista ao Página Central, apresentado por Renira Turatti Ost, Fernando relembrou o caminho percorrido até a consolidação da Fernando Multimarcas e da Fernando Caminhões. A conversa passou pelos primeiros negócios, pelas dificuldades enfrentadas, pelas decisões mais arriscadas e pela participação da família no crescimento das empresas.

Antes de atuar exclusivamente no setor automotivo, ele trabalhou com cachorro-quente e lancheria. A necessidade de começar cedo veio após a morte do pai, quando Fernando tinha cerca de 10 anos. Ainda adolescente, já fazia pequenas negociações com motocicletas e demonstrava interesse pelo comércio. Com o tempo, os carros começaram a dividir espaço com as motos. Depois vieram os caminhões e as oficinas. A expansão, segundo Fernando, foi sustentada pelo reinvestimento constante dos resultados no próprio negócio.

Ângela, esposa do empresário, teve participação direta nessa construção. Ela entrou na empresa ainda no início da trajetória e passou a atuar na administração, na publicidade e na presença digital das marcas. O casal conciliou o crescimento profissional com a criação dos filhos, Manuela e Leonardo.

Hoje, Leonardo trabalha na área comercial e já auxilia nas negociações e vendas. Manuela, formada em Administração, ainda avalia os próximos passos profissionais. Fernando admite que gostaria de vê-la integrada ao negócio da família, mas reforça que a decisão deve partir dela.

Entre os episódios mais marcantes da carreira está a compra de 15 caminhões seminovos em uma única negociação. Na época, o investimento foi financiado e gerava cerca de R$ 60 mil mensais em juros. Os veículos permaneceram aproximadamente três meses sem compradores, aumentando a pressão sobre a empresa.

A mudança no mercado provocada pela pandemia, no entanto, reduziu a oferta de caminhões e aumentou a procura pelos modelos disponíveis. Todos foram vendidos. A operação permitiu pagar os custos e ainda gerou retorno, tornando-se um dos negócios mais lembrados pelo empresário.

Os erros, segundo ele, também fizeram parte da formação. O empresário reconhece que enfrentou prejuízos ao longo dos anos, mas considera que essas situações ajudaram a aprimorar a gestão e a evitar a repetição de escolhas equivocadas.

Um dos principais desafios foi montar uma equipe de confiança. Atualmente, o grupo reúne cerca de 30 a 35 profissionais, alguns com mais de duas décadas de empresa. Fernando prefere chamá-los de colegas e afirma que a estabilidade do quadro permite que os negócios funcionem mesmo quando ele está ausente.

A relação com os funcionários é acompanhada de perto. O empresário faz questão de conversar mensalmente com cada integrante da equipe para acertar pagamentos, horas extras e esclarecer dúvidas. Na avaliação dele, transparência e reconhecimento são fundamentais para manter o ambiente de trabalho organizado.

As empresas comercializam, em média, entre 50 e 60 veículos por mês. Em determinado momento, Fernando decidiu reduzir o foco em volume e priorizar negócios com maior retorno. A mudança diminuiu vendas forçadas, melhorou os resultados e permitiu ampliar a remuneração dos vendedores.

As empresas mantêm oficinas próprias para carros e caminhões, com serviços de mecânica, motor, caixa, diferencial e estofamento. Mesmo após décadas no setor, Fernando afirma que o aprendizado continua diário, especialmente diante das mudanças tecnológicas e dos novos modelos que chegam ao mercado.

Outro problema crescente é o número de golpes pela internet. Criminosos utilizam fotos e informações de lojas para criar anúncios falsos e atrair compradores. Fernando orienta que qualquer depósito seja feito somente após a verificação da procedência do veículo e do vendedor.

Os investimentos continuam em Encantado. Próximo ao trevo onde estão as empresas, Fernando constrói um pavilhão com cerca de 14 metros de altura, destinado à locação. Ao lado da estrutura, há a possibilidade de implantação de uma nova loja de carros.

Na unidade de caminhões, parte da história do empresário também permanece exposta. O espaço reúne motos, bicicletas e outros objetos antigos, formando uma espécie de pequeno museu. Entre as peças está uma RD 350 semelhante à motocicleta vendida no início da trajetória.

Depois de anos dedicados quase integralmente ao trabalho, o empresário afirma que passou a administrar melhor o tempo. Atualmente, procura reservar períodos para viajar com a família e acompanhar mais de perto a rotina dos filhos.

A saúde também ganhou espaço. Há cerca de dez anos, Fernando adotou uma rotina de exercícios físicos e alimentação controlada após enfrentar dores provocadas por um desvio na coluna. Desde então, passou a tratar a atividade física como parte da disciplina diária.

Mesmo com o patrimônio construído, ele não pensa em se afastar das empresas. Fernando afirma que pretende trabalhar enquanto tiver condições, porque considera o negócio parte da própria vida.

Ao olhar para trás, resume a trajetória em disciplina, insistência e disposição para fazer o que precisa ser feito. Fernando também afirma que continua fazendo planos. Para ele, sonhar grande mantém a motivação, mesmo quando nem todos os projetos saem do papel. O importante, diz, é continuar construindo, aprendendo e avançando sem esquecer o valor da família, da saúde e do tempo.

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