Milhares de imigrantes chegam a nado a Ceuta e Espanha reforça fronteira

Cerca de 50 mil imigrantes entraram irregularmente em Ceuta entre quinta-feira (30) e esta sexta-feira (31), segundo estimativa do Ministério do Interior da Espanha. Parte do grupo chegou a nado ao território espanhol localizado no norte da África.
Ao menos 43 pessoas morreram durante as tentativas de travessia. A maioria das vítimas teria se afogado ao contornar o quebra-mar de El Tarajal, que separa Ceuta do território marroquino. Equipes de mergulho continuavam as buscas na região.
A entrada em massa sobrecarregou as forças de segurança e os serviços de acolhimento da cidade. O governo espanhol enviou militares e reforços policiais para controlar a fronteira e atender os recém-chegados.
Travessias pelo mar e pela costa
Imagens registradas na região mostram grupos nadando ao redor das barreiras marítimas, usando boias improvisadas ou caminhando por estruturas próximas à costa.
Outros imigrantes tentaram atravessar as cercas que separam os dois territórios. A maior parte dos recém-chegados é formada por cidadãos marroquinos, mas também há pessoas de outros países africanos, famílias e menores de idade.
As forças de segurança do Marrocos ampliaram o controle nos acessos à fronteira para tentar impedir novas travessias.
Metade teria retornado ao Marrocos
Conforme o governo espanhol, cerca de 25 mil imigrantes já haviam retornado ao Marrocos até a tarde desta sexta-feira. Parte dos retornos ocorreu de forma voluntária, diante da falta de alojamento, alimentos e estrutura para permanecer em Ceuta.
Os imigrantes que permanecerem na cidade deverão passar por identificação e triagem. Pedidos de proteção internacional serão analisados individualmente pelas autoridades espanholas.
Nos demais casos, poderá haver retorno ao Marrocos, conforme os acordos entre os dois países, as decisões judiciais e as regras de imigração da Espanha e da União Europeia.
Crianças e adolescentes desacompanhados devem ser encaminhados aos serviços de proteção.
Onde fica Ceuta?
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha situada no norte da África, às margens do Mar Mediterrâneo e próxima ao Estreito de Gibraltar.
Ao lado de Melilla, também administrada pela Espanha, é um dos únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre no continente africano.
O Marrocos reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla, situação que provoca atritos diplomáticos recorrentes entre os dois países.
Governo envia militares
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez determinou o envio de unidades militares para apoiar a Guarda Civil e a Polícia Nacional. A medida foi adotada após as equipes locais relatarem dificuldades para controlar o fluxo e prestar atendimento aos imigrantes.
A União Europeia manifestou apoio à Espanha e informou que poderá reforçar a atuação da Frontex, agência responsável pela proteção das fronteiras externas do bloco.
As autoridades espanholas também anunciaram que manterão contato com o governo marroquino para conter novas entradas e organizar os retornos permitidos pela legislação.
Causas ainda são investigadas
O governo espanhol investiga a possível atuação de redes de tráfico de pessoas na organização ou no incentivo às travessias.
Informações sobre uma decisão judicial que restringe devoluções imediatas de pessoas interceptadas no mar também teriam circulado em redes sociais. Segundo as autoridades, essas mensagens podem ter levado parte dos imigrantes a acreditar que conseguiria permanecer em Ceuta.
Até esta sexta-feira, não havia confirmação de participação do governo marroquino na organização do fluxo migratório.
Crise supera episódio de 2021
Ceuta registrou uma situação semelhante em maio de 2021, quando milhares de pessoas cruzaram a fronteira em meio a uma crise diplomática entre Espanha e Marrocos.
Na ocasião, o atrito ocorreu depois que o governo espanhol recebeu para tratamento médico Brahim Ghali, líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental.
O fluxo registrado nesta semana é considerado o maior da história recente de Ceuta. Em cerca de 24 horas, o número de entradas correspondeu a mais da metade da população da cidade, que tem aproximadamente 84 mil habitantes.






