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Geral

Senado argentino aprova reforma que amplia jornada trabalhista para até 12 horas

Texto altera cálculo de indenizações, redefine regras de greve e segue agora para análise da Câmara

O Senado da Argentina aprovou na quinta-feira (12) a reforma trabalhista proposta pelo governo federal, por 42 votos a 30, após sessão marcada por protestos em Buenos Aires. O projeto amplia a jornada diária para até 12 horas, altera regras de demissão e ainda será analisado pela Câmara dos Deputados.

A proposta integra o pacote de mudanças estruturais do Executivo e modifica normas de contratação, remuneração, férias e organização sindical. O governo afirma que o objetivo é estimular a formalização do emprego em um país onde cerca de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.

Centrais sindicais e partidos de oposição apontam redução de garantias trabalhistas e questionam o avanço das mudanças em meio à recessão econômica.

Protestos e tensão

A votação foi precedida por manifestações convocadas por sindicatos e movimentos sociais.

Manifestantes ocuparam a região do Congresso, na capital argentina, e houve confronto com forças de segurança durante o dia da votação.

O que muda nas indenizações

Um dos principais pontos altera o cálculo das indenizações por demissão sem justa causa.

Pela nova regra, 13º salário, férias e bônus deixam de integrar a base de cálculo, o que pode reduzir o valor final pago ao trabalhador.

O texto também cria o Fundo de Assistência ao Trabalho (FAL), sistema obrigatório financiado por retenções vinculadas à seguridade social. O fundo será administrado por instituições financeiras autorizadas e terá taxa de gestão.

Empresas poderão parcelar condenações trabalhistas:

  • Até 6 vezes, no caso de grandes companhias
  • Até 12 parcelas, para pequenas e médias empresas

Jornada e remuneração

A reforma flexibiliza a jornada de trabalho. Será possível ampliar o expediente diário de 8 para até 12 horas, desde que respeitado o descanso mínimo de 12 horas entre jornadas.

Também fica instituído o banco de horas, permitindo compensação com folgas em vez de pagamento obrigatório de horas extras.

No campo salarial, o texto autoriza:

  • Pagamento em pesos ou moeda estrangeira
  • Criação de “salários dinâmicos”, baseados em produtividade ou mérito individual
  • Definição de remuneração variável conforme acordos coletivos

Sindicatos afirmam que o modelo pode pressionar pisos salariais de determinadas categorias.

Férias e licenças

As férias poderão ser divididas em períodos mínimos de sete dias, mediante acordo entre empregado e empregador, com garantia de ao menos um período no verão a cada três anos.

Em relação a licenças médicas:

  • Doença ou acidente decorrente de ato voluntário e de risco: 50% do salário-base por três meses (ou seis, se houver dependentes)
  • Demais casos: 75% do salário-base pelo mesmo período

Greves e serviços essenciais

O projeto amplia a lista de setores considerados essenciais, exigindo funcionamento mínimo de 75% dos serviços durante greves.

Além de saúde, energia e água, passam a ser incluídos:

  • Telecomunicações
  • Comércio
  • Portos
  • Imigração
  • Educação (exceto universidades)

Forças de segurança deverão manter 100% das atividades.

Assembleias no local de trabalho dependerão de autorização do empregador, e bloqueios ou ocupações passam a ser classificados como infrações graves.

Incentivos e mudanças tributárias

A reforma cria um programa temporário de incentivo à formalização, com redução de contribuições patronais para 8% por empregado contratado dentro dos critérios estabelecidos.

Também prevê:

  • Perdão parcial de dívidas previdenciárias
  • Eliminação de impostos internos sobre determinados setores
  • Criação de regime de incentivo a investimentos de médio porte, com exigência de aportes mínimos em dólares

Durante a tramitação no Senado, cerca de 30 alterações foram incorporadas ao texto original, incluindo ajustes em regras tributárias e na contribuição sindical.

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