Saúde

Univates mapeia desesperança e trauma infantil como gatilhos do suicídio no Vale do Taquari

O grupo com histórico de tentativa ou ideação suicida marcou, em média, 8,43 pontos na escala de desesperança utilizada pela pesquisa — contra 4,14 pontos no grupo controle, mais que o dobro. O estudo, desenvolvido durante o doutorado da pesquisadora Janaína Chiogna Padilha na Univates, analisou 170 participantes: 119 com histórico de tentativa ou ideação suicida e 51 no grupo controle.

Além da desesperança, os pesquisadores identificaram níveis mais elevados de impulsividade motora e atencional — ligadas à dificuldade de controlar reações em crises — e maior incidência de abuso emocional, físico, sexual e negligência física na infância entre os participantes com comportamento suicida.

Região entre as mais críticas do país

O Rio Grande do Sul registra a maior taxa de mortalidade por suicídio do Brasil, com média de 13,34 óbitos por 100 mil habitantes. Dentro do estado, o Vale do Taquari aparece entre as regiões com índices mais elevados. Segundo o levantamento, aproximadamente 53% dos registros locais são provenientes de atendimentos em serviços de urgência, emergência e hospitais.

A pesquisa foi orientada pelos professores Verônica Contini e Flávio Milman Shansis e publicada na revista científica Cuadernos de Educación y Desarrollo, com participação dos Programas de Pós-Graduação em Biotecnologia e Ciências Médicas da Univates.

Impacto em protocolos de saúde pública

Os pesquisadores apontam que os resultados permitem aprimorar protocolos de triagem em emergências e identificar precocemente pessoas em situação de risco — dado relevante para uma região onde mais da metade dos casos é captada justamente nesses serviços.

Quem precisar de apoio pode ligar 188 (CVV — Centro de Valorização da Vida), atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

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