#ColunaDaMari | Incentivo

Durante a última sessão da Câmara de Vereadores, no expediente da Ordem do Dia, uma frase dita pela vereadora Joanete Cardoso (PSDB) sobre a importância de rever o quanto antes as leis de incentivo às empresas me fez lembrar de um tema sobre o qual há tempos gostaria de escrever. Concordo com a opinião da vereadora de que essa lei deve ser revista, mas com toda a cautela, para evitar que os beneficiados sejam sempre os mesmos. A minha reflexão de hoje, no entanto, vai um pouco além disso. Vamos começar.
Considero que o incentivo às empresas seja um dos investimentos mais importantes feitos por toda e qualquer administração. Contudo, atualmente, a geração de empregos não é algo urgente em nosso município; afinal, hoje existem mais de 120 vagas disponíveis no SINE de Encantado aguardando preenchimento. Por outro lado, a geração de renda, sim, faz-se cada vez mais necessária.
Talvez a maioria de vocês não tenha se dado conta do aumento significativo da população de Encantado no último ano — algo que, para muitos, pode ter passado despercebido, mas para mim não. Quando se fala em aumento populacional, a primeira coisa que me vem à mente é o que mais vejo acontecer: o aumento da demanda por serviços públicos. Cerca de 99% dos recém-chegados ao nosso município vêm em busca de emprego, enquanto apenas 1% vem para investir. Mais pessoas significam mais demanda na saúde, na assistência social e na educação, algo extremamente preocupante na minha opinião.
Outra situação recorrente é a de empresas que buscam pessoas de fora para suprir a demanda de mão de obra sem se responsabilizar pela adaptação dessas pessoas, oferecendo apenas a promessa de um emprego com carteira assinada. O problema é que grande parte desses trabalhadores não passa do período de experiência e acaba ficando por aqui, desempregada e dependendo unicamente do Poder Público para sobreviver.
É a partir desses pontos que gostaria de chamar a atenção, primeiramente, da Administração Municipal, da Câmara de Vereadores, da ACI-E e das demais entidades representativas da nossa Indústria, Comércio e Serviços. Precisamos urgentemente reavaliar algumas prioridades: hoje, o problema do nosso município não é a geração de mais empregos, mas sim o aumento da renda de quem realmente quer trabalhar.
Já escutei relatos de diversas pessoas que trabalham há anos em grandes empresas do município e que estão desmotivadas pela questão salarial. Muitos trabalhadores antigos recebem o mesmo salário que os recém-chegados — os quais, em sua maioria, não ficam nem três meses no emprego. Isso acaba desmotivando quem já provou que tem vontade e compromisso com o trabalho.
Precisamos iniciar esse debate, buscar maneiras de qualificar a mão de obra que tem raízes em nosso município, bem como incentivar as empresas que estejam dispostas a rever o atual salário de seus colaboradores. Com o elevado número de vagas em aberto hoje em nossa cidade, está mais do que provado que é muito mais barato valorizar e qualificar a mão de obra já existente do que gastar com admissões e demissões frequentes, apostando em pessoas que nem ao menos se esforçam para permanecer na empresa. Isso sem esquecer de contabilizar que o aumento nos custos da saúde, da assistência social e da educação sai do bolso de todo e qualquer contribuinte.






