Polilaminina chega a 100 pacientes atendidos no Brasil

A Polilaminina, tratamento experimental brasileiro estudado para lesões medulares, chegou à marca de 100 pacientes atendidos no Brasil. O número foi anunciado nesta semana pela equipe responsável pelo programa.
Os atendimentos ocorreram em diferentes estados por meio do Programa de Uso Compassivo, modalidade que permite o acesso a tratamentos ainda não aprovados de forma definitiva pelos órgãos reguladores em situações específicas previstas na legislação.
A substância é acompanhada por uma equipe coordenada por Mitter Mayer, com supervisão da Dra. Tatiana Sampaio, bióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pela criação do tratamento.
Em entrevista ao portal Só Notícia Boa, Mayer afirmou que todos os pacientes atendidos foram reavaliados após seis meses.
“Todos os pacientes que receberam a polilaminina foram reavaliados após 6 meses e 100% tiveram evolução [no nível de lesão medular]”, disse.
O que é a Polilaminina
A Polilaminina é uma molécula sintética derivada da laminina humana. Segundo os pesquisadores, ela atua como uma espécie de “andaime” ou “cola biológica”, com o objetivo de estimular a regeneração de neurônios.
O tratamento vem sendo estudado principalmente para casos de lesões medulares agudas, provocadas por traumas recentes. A aplicação deve ocorrer em curto prazo após a lesão, antes da formação de cicatrizes nos axônios que possam dificultar a ação da substância.
Desenvolvida em parceria com a UFRJ e o laboratório Cristália, a Polilaminina ainda é considerada experimental. A substância recebeu autorização da Anvisa para início dos ensaios clínicos de Fase 1, etapa voltada à avaliação da segurança do medicamento.
Marca simbólica para a pesquisa
Para a equipe envolvida no programa, chegar a 100 pacientes representa um marco simbólico no avanço da pesquisa brasileira e no acompanhamento de pessoas com lesão medular.
Em publicação nas redes sociais, Mitter Mayer destacou o impacto da marca para os pacientes e familiares atendidos.
“Hoje, esses frascos carregam muito mais do que um tratamento. Eles carregam 100 histórias de esperança. Cem famílias que depositaram sua confiança na ciência. Cem vidas que passaram a fazer parte da nossa história”, afirmou.
A equipe também relaciona o resultado ao trabalho de médicos, pesquisadores e profissionais de saúde que atuam no acompanhamento dos pacientes em diferentes regiões do país.
Apesar do avanço, a Polilaminina segue em fase de desenvolvimento e ainda depende da conclusão de etapas clínicas e regulatórias antes de eventual aprovação para uso amplo. Para os pesquisadores, a marca reforça a importância do investimento em ciência nacional e em novas alternativas terapêuticas para casos complexos.






