Boas perguntas

Desde cedo aprendemos que acertar é sinal de inteligência, e é, mas corremos o risco de valorizarmos somente quem tem respostas. Pouco nos ensinam sobre a qualidade das perguntas, e é justamente uma boa pergunta que tem o poder de transformar uma vida, abrindo caminhos, enquanto a resposta, muitas vezes, apenas encerra um assunto.
As descobertas da humanidade começaram com alguém perguntando, assim como as mudanças pessoais costumam nascer de simples perguntas.
Nos relacionamentos acontece o mesmo. Muitos conflitos não surgem porque pensamos diferente, mas porque deixamos de perguntar antes de concluir, interpretamos intenções, completamos histórias, imaginamos motivos e passamos a responder a algo que talvez nunca tenha existido.
Na mediação de conflitos por exemplo, uma boa pergunta frequentemente muda o rumo das coisas, pois não entrega a solução pronta, apenas e simplesmente convida as pessoas a encontrá-la.
A pergunta mais poderosa de uma mediação não é a que conduz a um acordo, mas a que devolve às pessoas a capacidade de compreender, de refletir e de escolher conscientemente os próximos passos.
Há perguntas que aproximam os relacionamentos: Como se sente? O que foi mais desafiador? O que eu ainda não compreendi?
E também existem perguntas que precisam ser feitas a nós mesmos: Estou ouvindo para compreender ou apenas para responder? Estou defendendo uma ideia ou procurando a verdade? O que esta situação pode estar tentando me ensinar?
Perguntar também é um exercício de humildade, reconhecendo que ninguém enxerga toda a realidade sozinho, e deveríamos estar abertos a mudar de ideia quando aprendemos algo novo com informações que não possuíamos, sem tanta rigidez e com mais coerência, permanecendo fiel aos nossos valores, mesmo que os caminhos precisem mudar.
Avançamos quando e porque questionamos certezas.
Nas relações principalmente, mudar de ideia significa reconhecer o ponto de vista do outro, não porque ele esteja sempre certo, mas porque talvez exista uma parte da realidade que ainda não havíamos enxergado.
Ganhamos credibilidade quando admitimos que estávamos equivocados.
Quando perguntamos para entender, construímos pontes, nos conectamos.
As perguntas revelam mais sobre quem pergunta, do que as respostas revelam sobre quem responde.
Encerro com duas boas perguntas. Qual foi a última pergunta que realmente mudou a tua vida? Qual pergunta ainda precisa ter a coragem de fazer ao outro ou a si mesmo?






