Vamô Pastel®

Deum quartinho de 9 m² ao salão próprio: a trajetória da Vamos Pastel
Um convite feito ainda no início do namoro acabou dando nome e rumo a uma história que já completa seis anos. Quando Felipe Dalla Vechia perguntou a Mayara Diehl se ela toparia se mudar de Estrela para Encantado e abrir uma pastelaria com ele, a resposta veio simples: “Vamo”. A palavra ficou. Primeiro como decisão de um casal que ainda dava os primeiros passos junto; depois, como identidade da Vamo Pastel, empreendimento que nasceu em um espaço improvisado de aproximadamente 9 metros quadrados na casa da irmã de Felipe, e hoje mantém produção, delivery e atendimento presencial no bairro Planalto, em Encantado.
Tudo diferente
Felipe trabalhava com o pai na tornearia da família quando começou a pensar em ter o próprio negócio. A ideia do pastel, conta, ganhou força depois de uma conversa com um amigo, pouco antes da pandemia. “Eu sempre quis abrir uma pastelaria. Ele falou: ‘Por que não?’. E aquilo ficou martelando na minha cabeça.”
Mayara, então moradora de Estrela e profissional da área de vendas, colocou algumas condições antes de aceitar a mudança. Uma delas era manter uma característica que segue como base do negócio: “a massa precisava ser feita por eles”. A referência veio de casa. Mayara cresceu com os pastéis preparados pela mãe e levou a receita para os primeiros testes. O desafio seguinte foi transformar medidas como “um pouquinho disso” e “mais um pouco daquilo” em um padrão que pudesse ser repetido diariamente.
“Minha mãe cozinha muito bem e eu aprendi muito com ela e com o meu falecido pai”, lembra Mayara. A busca por aperfeiçoamento levou o casal a cursos, treinamentos e feiras do setor. Felipe, que estudava Engenharia, passou a olhar especialmente para processos e padronização.
As perdas deixaram marcas profundas. “A gente se entende muito bem, além de tudo que nos une, temos mais uma coisa em comum, perdemos de forma brusca pessoas que muito amamos, ela o pai, eu a mãe e conviver com isso nos tornou mais fortes e resilientes”.
O começo em família
Sem dinheiro para uma estrutura maior, os dois recorreram à família. O primeiro ponto funcionou em um pequeno cômodo na casa da irmã de Felipe, onde couberam mesa, geladeira, freezer, fritadeiras e pouco mais. Quando o movimento apertava, a irmã, Kátia, era chamada para ajudar. “Temos boas lembranças daquele começo”, diz Felipe.
O crescimento, porém, esteve longe de ser imediato. Mayara recorda que, por cerca de dois anos, o casal não retirou salário do negócio. ” No começo eu trabalhei na loja Amaró, não dava para se jogar de cabeça no novo negocio” lembra. “A gente escuta muito que a ‘Vamo’ deu certo. Deu muito certo porque a gente persistiu muito. Isso não quer dizer que não teve vontade de desistir.” Ela lembra que havia deixado emprego, cidade e uma rotina estável para começar novamente. Em casa, a economia fazia parte do cotidiano. “Ficamos dois anos sem salário, comendo pão com ovo todos os dias, em todas as variações possíveis.” Hoje, olhar para o caminho percorrido traz outra dimensão à lembrança. “A gente fica muito orgulhoso e feliz porque consegue enxergar de onde saiu e para onde está caminhando. Mas foi tudo muito batalhado”, afirma.
Do delivery às mesas
O atendimento presencial completa um ano em novembro. O espaço funciona junto à estrutura de produção e delivery, na Avenida Antônio de Conto, no bairro Planalto, e mantém o pastel como protagonista do cardápio. O campeão de vendas é o pastel de carne de panela, com cebola caramelizada, bacon, requeijão e queijo muçarela. Entre os doces, o destaque é o Kinder Bueno.
A operação envolve atualmente cerca de dez pessoas, além dos motoboys. Mayara e Felipe continuam diretamente na produção e na rotina administrativa. “Somos os primeiros a chegar e os últimos a sair”, resume Mayara.
Autonomia nos processos
Mesmo com uma equipe mais estruturada, o casal diz que ainda trabalha para tornar a empresa menos dependente dos proprietários. Processos, treinamento e autonomia dos funcionários passaram a fazer parte da expansão. A inquietação, dizem, permanece a mesma de quando tudo começou.
“A gente não se acomoda. Está sempre pensando no próximo passo, no que pode melhorar e no que pode fazer diferente”, afirma Mayara.
Para Felipe, o nome escolhido anos atrás continua traduzindo a essência do negócio e da vida a dois: “Toda boa história começa com um ‘vamos’. Sozinho, tu não faz uma boa história.”






