Plural

Valores: a bússola das nossas escolhas

Nas práticas restaurativas, especialmente nos Círculos de Construção de Paz, existe uma etapa de que gosto muito que é quando somos convidados a construir os valores do grupo.

As palavras vão surgindo e aos poucos, formando diante do grupo uma espécie de retrato daquilo que consideramos importante para estarmos juntos. Geralmente aparecem o respeito, honestidade, empatia, responsabilidade, justiça, cuidado, coragem, solidariedade, confiança, humildade, amor e tantos outros.

À primeira vista pode parecer simples escolher um valor, afinal provavelmente todos nós sabemos dizer quais valores consideramos importantes. O desafio começa quando saímos das palavras e precisamos colocá-los em prática.

Os valores fazem parte da maneira como escolhemos viver, falar, agir e nos relacionar, e é justamente na vida cotidiana que eles deixam de ser apenas conceitos e passam a revelar quem somos e como escolhemos estar no mundo.

Nos Círculos de Construção de Paz, quando construímos valores coletivamente, estabelecemos uma referência para a convivência. Não significa que todos agirão sempre da mesma forma, mas que existe um compromisso compartilhado sobre como queremos estar uns com os outros, e isso se torna ainda mais importante diante da rapidez com que muitas vezes respondemos, reagimos e julgamos. Somos conduzidos pela emoção, pela conveniência, pela pressão ou simplesmente pelo comportamento de quem está ao nosso redor.

Penso que os valores deveriam funcionar como uma espécie de bússola. A bússola não escolhe o caminho por nós, mas nos ajuda a não perder a direção.

O ideal é sermos guiados por nossos valores, embora isso nem sempre seja fácil. Viver de acordo com eles exige consciência e coragem. Há momentos em que escolher o respeito significa não responder da mesma maneira como fomos tratados. Em outros, escolher a responsabilidade significa reconhecer um erro. Escolher a honestidade pode significar sustentar uma conversa difícil. E escolher o cuidado pode representar compreender que a forma como fazemos alguma coisa é tão importante quanto aquilo que fazemos.

Por isso, falar sobre valores continua sendo tão necessário. Em meio a tantas urgências precisamos encontrar espaço para perguntar se aquilo que estamos fazendo permanece coerente com aquilo em que acreditamos.

As práticas restaurativas nos lembram que relações mais saudáveis e comunidades mais humanas começam nas pequenas escolhas de todos os dias: na forma como escutamos, como discordamos, como cuidamos, como assumimos responsabilidades e como tratamos quem cruza o nosso caminho.

Queremos ser ouvidos, mas nem sempre sabemos escutar. Esperamos honestidade, compromisso, respeito e consideração, mas também precisamos nos perguntar quanto desses mesmos valores estamos oferecendo.

Resgatar valores não significa voltar ao passado. Significa trazer para o presente aquilo que nunca deveria ter ficado para trás.

Que continuemos avançando em conhecimento, tecnologia e oportunidades, mas desenvolvimento algum será suficiente se não conseguirmos avançar também na forma como nos relacionamos.

E tu, quais valores queres encontrar no mundo? E quanto deles tens colocado através das tuas próprias atitudes?

Botão Voltar ao topo