Geral

Desembargadora com salário de R$ 91 mil diz que categoria vai virar ‘escrava’

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), classificou como “muito triste” a situação financeira da magistratura durante sessão realizada no dia 9 de abril. Com contracheque líquido de R$ 91.211,82 em março, ela afirmou que a categoria entrará em “regime de escravidão” sem os penduricalhos.

“Não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direito de foro. Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse durante sessão da Terceira Turma de Direita Penal.

Salário de quase R$ 118 mil brutos

Dados do Portal da Transparência mostram que a desembargadora teve remuneração bruta de R$ 117.861,72 em março. Após os descontos, o salário líquido ficou em R$ 91.211,82. A declaração foi dada pouco mais de uma semana após o Supremo Tribunal Federal (STF) endurecer as regras para pagamento de verbas indenizatórias a magistrados e servidores do Ministério Público.

Durante sua fala, Eva afirmou que os magistrados não conseguirão arcar com suas contas nem realizar acompanhamento médico. “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios”, declarou.

Categoria vista como “vilã”

A desembargadora também criticou a forma como a magistratura é vista pela população. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, afirmou Eva, que convidou a população a “viver o dia a dia do juiz e do desembargador”.

Ela ainda reclamou da escala de trabalho, argumentando que muitos profissionais da categoria continuam trabalhando em casa. “Nós de plantão não estamos aqui, estamos trabalhando em casa e fora os dias que se trabalha à noite revisando votos”, disse.

A magistrada foi procurada pelo portal G1, mas ainda não se posicionou sobre as declarações. Em nenhum momento Eva citou explicitamente a decisão do STF sobre os penduricalhos.

Publicidade
Botão Voltar ao topo