Vice-prefeito de Candelária envia e-mail a Trump pedindo revisão de tarifa sobre tabaco

Cerca de 3 mil famílias de Candelária, no Vale do Rio Pardo, vivem da lavoura de tabaco. Foi pensando nelas que o vice-prefeito do município, Cristiano Pinto Becker, tomou uma decisão incomum: redigir um e-mail ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo a revisão da tarifa de 50% imposta pelo governo americano sobre o produto brasileiro.
Segundo apurou a Folha de Candelária, o documento foi enviado no dia 21 de julho diretamente à Casa Branca. Até agora, a resposta se limitou a um protocolo de recebimento, sem qualquer manifestação sobre o mérito do pedido.
Queda de preços acendeu o alerta
A motivação veio da safra atual. Os preços do tabaco recuaram além do esperado em relação ao ano anterior, e Becker passou a investigar as causas. A taxação americana apareceu como um dos fatores centrais da desvalorização.
“Acompanho de perto o setor fumageiro e, neste ano, os preços caíram além do esperado. Busquei entender quais fatores causaram essa desvalorização. Identifiquei que um dos motivos era a taxação aplicada pelos EUA sobre o tabaco brasileiro. Como acredito que cada um deve fazer a sua parte, decidi enviar o documento”, disse Becker.
No e-mail, o vice-prefeito apresentou dados concretos sobre a dependência econômica local: o município tem aproximadamente 30 mil habitantes, produz cerca de 12.500 toneladas métricas de tabaco por ano e tem no cultivo a principal fonte de renda de milhares de famílias.
Apelo direto ao líder americano
O texto enviado à Casa Branca faz um apelo explícito a Trump para que reconsidere a medida especificamente para o setor fumageiro.
“Com a implementação da tarifa de 50%, o tabaco brasileiro perde muito de sua competitividade no mercado americano. Portanto, peço respeitosamente que o senhor reconsidere essa decisão no que diz respeito ao setor do tabaco”, escreveu Becker no trecho divulgado.
O vice-prefeito reconhece a incerteza sobre qualquer desdobramento prático, mas defende a iniciativa como um ato de representação política.
“Como figura pública, sinto que fiz a minha parte, ao menos tentei. Se vai surtir efeito, não sei, mas decidi tomar uma atitude que pudesse ajudar o meu município”, afirmou.






