Economia

EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; etanol entra na lista enquanto café e carne ficam fora

RedaçãoAtualizado em 05/09/2026 às 09h213 min de leitura

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou, na noite desta quarta-feira (15/7), a conclusão da investigação sobre práticas comerciais do Brasil e determinou a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão é chancelada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

O chefe do USTR, Jamieson Greer, apresentou o resultado em entrevista coletiva.

“Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”

, afirmou Greer. A lista completa dos produtos atingidos ainda não foi publicada pelo governo americano.

O que entra e o que fica fora

O governo norte-americano informou que café e carne bovina ficam excluídos da cobrança adicional. O etanol, por sua vez, constará na relação de produtos tarifados. A relação detalhada com todos os itens afetados será divulgada posteriormente.

Justificativas apresentadas pelos EUA

Segundo o USTR, a tarifa se baseia em práticas consideradas injustas nas relações comerciais com o Brasil. Entre os motivos apontados estão restrições ao comércio digital, favorecimento ao Pix — sistema de pagamentos instantâneos brasileiro —, barreiras tarifárias, corrupção e desmatamento. A investigação foi aberta em julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.

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Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro não se manifestou publicamente até o fechamento desta edição. O anúncio, contudo, já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

Na terça-feira (14/7), véspera do anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou possível resposta.

“A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa”

, declarou Durigan a jornalistas, referindo-se à Lei de Reciprocidade — mecanismo que permite ao Brasil aplicar tarifas equivalentes às impostas por outros países sobre produtos nacionais.

Tentativa de negociação

Na semana passada, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve nos Estados Unidos para discutir o tema e tentar evitar a imposição das tarifas. Nenhum representante oficial do governo Luiz Inácio Lula da Silva participou das negociações em território norte-americano. O novo tarifaço é o segundo imposto pelos EUA ao Brasil em um ano.

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