RS registra alta de 51% em crimes de pornografia e abuso infantojuvenil em 2025

O Rio Grande do Sul registrou 139 ocorrências de crimes de pornografia e abuso infantojuvenil entre janeiro e julho de 2026 — alta de 51% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 92 registros, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). No mesmo dia em que os números foram divulgados, a Polícia Civil prendeu um homem de 39 anos em um apartamento na zona norte de Porto Alegre suspeito de armazenar, compartilhar e montar arquivos com cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes com uso de inteligência artificial.
Os números
Das 139 ocorrências registradas em 2026, 77 envolvem divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia com vítimas menores de 18 anos, e 62 são casos de pornografia infantojuvenil. Em 2025, no mesmo intervalo, foram 34 registros de divulgação de cenas e 58 de pornografia infantojuvenil.
As vítimas identificadas tinham entre seis e 17 anos. Dos casos registrados em 2026, 73 eram do sexo feminino e oito do masculino — as meninas representam quase 90% das vítimas identificadas.
A prisão
A ação desta quinta-feira foi conduzida pelo Núcleo de Operações Cibernéticas da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca). Durante a prisão, foram apreendidos celular, tablet, computador e notebook. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) identificou no local o armazenamento de imagens com conteúdo de abuso sexual. Os dispositivos ainda passarão por perícia mais aprofundada. O nome do preso não foi divulgado pela polícia.
“No momento em que aquela cena foi produzida, houve uma violência sexual real contra uma criança. No caso de hoje, nós tínhamos produção de imagens por inteligência artificial e manipulação de imagens reais por IA”
A declaração é do diretor da Deca, delegado André Mocciaro.
Fatores para o aumento
A Deca elenca entre os fatores que explicam a alta nos registros o aumento das denúncias, a intensificação do uso da internet por crianças e adolescentes, a melhora na capacidade investigativa das polícias e os protocolos adotados pelas plataformas digitais para notificar casos suspeitos.
“O aumento que foi percebido nos fatos registrados sobre estes crimes se deve principalmente à atividade que a Polícia Civil, que a Deca tem desenvolvendo e as delegacias especializadas, as DPCAs por todo o Estado, de combate ao abuso sexual infantil”
Segundo Mocciaro, o perfil dos investigados varia em termos de classe social e profissão, embora a maior parte seja formada por homens. Nem sempre é possível identificar imediatamente a origem das imagens armazenadas, pois muitas circulam entre diferentes países.






