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O que se sabe até o momento sobre a 2ª fase da Operação Lamaçal, deflagrada no Vale do Taquari

Polícia Federal apura suspeitas de desvio de recursos do FNAS; bloqueio de bens pode chegar a R$ 5 milhões e prisões são temporárias

A Polícia Federal prendeu temporariamente o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, na manhã desta quinta-feira (26), na segunda fase da Operação Lamaçal. A investigação apura supostas irregularidades em contratos com recursos do FNAS.

Os nomes dos envolvidos na operação ainda não foram divulgados oficialmente pela Polícia Federal, bem como os detalhes que foram apurados pela imprensa gaúcha ao longo da manhã.


🔎 Quem foi preso

O ex-prefeito de Lajeado Marcelo Caumo foi detido por volta das 6h30. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, prorrogável por igual período, por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Ele foi encaminhado à Penitenciária Estadual de Canoas, onde permanece em sala de Estado-Maior.

Também foi presa temporariamente a proprietária da empresa Arki Serviços, com sede em Muçum.

Segundo o delegado da Polícia Federal, Marcone Silva, a medida busca evitar possível combinação de versões ou destruição de provas. A autoridade afirmou que foram identificadas contradições nos depoimentos e indícios de contato recente entre os investigados.


⚖️ Quem foi afastado

Segundo a imprensa estadual, a Justiça Federal determinou o afastamento cautelar de dois investigados:

  • A atual secretária de Serviços Urbanos de Lajeado, Elisete Mayer
  • A vereadora de Encantado Joanete Cardoso, vice-presidente da Câmara

Conforme apuração, o afastamento da parlamentar se refere à função exercida na empresa Arki Serviços, e não ao mandato legislativo.


🏛 Câmara de Encantado não foi notificada

O presidente da Câmara de Vereadores de Encantado, Cláudio José da Silva Neto, afirmou ao Força do Vale que o Legislativo não foi oficialmente notificado sobre qualquer medida envolvendo a vereadora.

“A casa não foi formalmente oficiada, nem notificada. Eu soube desta informação pela imprensa”, declarou.

O presidente disse não ter conhecimento sobre o cargo que a vereadora ocupava na Arki e acredita que o ingresso nos quadros da empresa tenha sido recente. “Formalmente não veio nada para a casa legislativa, não muda a situação legislativa, as cadeiras, nada”, completou.

Apesar disso, informou que a Câmara fará reunião com o setor jurídico para avaliar o caso.

Outros funcionários da empresa também teriam sido afastados no âmbito da investigação.


💰 O que é investigado

A operação apura contratos firmados com verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), parte deles celebrados por dispensa de licitação após decreto de calamidade pública devido às enchentes de 2024.

De acordo com auditoria da Controladoria-Geral da União, há indícios de:

  • Ausência de comprovação da proposta mais vantajosa
  • Valores superiores aos praticados no mercado
  • Possível direcionamento na contratação

O volume de contratos sob análise chega a R$ 120 milhões, com suspeita de que ao menos R$ 5 milhões tenham sido desviados.

Os investigados podem responder por crimes como:

  • Desvio de recursos públicos
  • Fraude em licitação
  • Corrupção ativa e passiva
  • Associação criminosa
  • Lavagem de dinheiro

📍 Mandados e bloqueios

Ao todo, foram cumpridos:

  • 20 mandados de busca e apreensão
  • Ordens em oito municípios gaúchos
  • Bloqueio de bens de até R$ 5 milhões

Celulares de servidores públicos também foram recolhidos.

Na primeira fase da operação, em novembro de 2025, foram apreendidos R$ 411 mil em espécie em um cofre vinculado ao ex-prefeito.


🗣 O que dizem os citados

O advogado de Marcelo Caumo classificou a prisão como “absolutamente desnecessária” e informou que ainda não teve acesso integral à decisão judicial. Segundo ele, um depoimento já estava agendado para o início de março.

A atual administração de Lajeado informou que os contratos sob investigação foram firmados em períodos anteriores à gestão atual e que vem colaborando com as autoridades desde o início da operação, fornecendo documentos e informações solicitadas. A investigação não envolve a atual gestão municipal.

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