Jovem de 24 anos mantém vivo o tropeirismo nos Campos de Cima da Serra

Willian Marcelo dos Santos Goulart tem 24 anos e fala com a prosódia campeira de quem passou décadas no lombo de mulas. Divulgador da cultura tropeira, ele atua na região de Bom Jesus, nos Campos de Cima da Serra, e integra uma nova geração empenhada em preservar uma tradição que remonta a mais de três séculos em solo gaúcho.
Escolas e pousos tropeiros
Goulart representa a figura do tropeiro serrano em escolas da região, em trabalho conjunto com os pesquisadores Valter Fraga Nunes e Marco Aurélio Angeli, autores do livro Tropeirismo: Uma Síntese Didática, lançado como material de apoio para professores. Por vezes, o jovem chega aos pátios escolares montado no burro Faísca, acenando o chapéu e puxando uma mula cargueira com antigos apetrechos — as chamadas “traias”.
“Em cidades com um número muito grande de alunos, como Taquara, a gente faz a capacitação dos professores. Em municípios menores, levamos material audiovisual, montamos um pouso tropeiro do início do século 20 e, em uma terceira etapa, levamos um cargueiro.”
A iniciativa alcança municípios como Bom Jesus, São José dos Ausentes e Taquara, no Vale do Paranhana. Parte dos itens reproduzidos nas apresentações inclui as “bruacas” — bolsas de couro cru que pendiam de ambos os lados dos animais e transportavam até 45 quilos em cada flanco, carregando arroz, charque ou paçoca nas antigas expedições.
Movimento mais amplo
O trabalho de Goulart se insere em um esforço coletivo de preservação que inclui o Seminário Nacional sobre Tropeirismo (Senatro), realizado a cada dois anos desde 1992 em Bom Jesus, e um número crescente de tropeadas culturais e turísticas que evocam as antigas caravanas sem propósito comercial. O tropeirismo ganhou força no século 18 e permaneceu relevante até as primeiras décadas do século 20, sustentado por viajantes que conduziam tropas de muares ou bovinos por dias a fio pelo interior gaúcho.






