Proliferação de veados no RS preocupa biólogos

A expansão do cervo-axis, também conhecido como chital, no Rio Grande do Sul chama atenção pelos possíveis impactos sobre a fauna e a vegetação nativas. Sem estudos específicos sobre a espécie no Brasil, parte dos riscos ainda é avaliada com base no conhecimento ecológico disponível.
Uma das principais preocupações é a possível competição com o veado-campeiro, espécie nativa do Rio Grande do Sul. Os dois animais podem disputar alimento e áreas de ocupação, especialmente em ambientes onde seus hábitos se sobrepõem.
A presença do cervo-axis também pode provocar alterações na vegetação. Como se alimenta de capim, folhas, flores e frutos caídos, o aumento da população tem potencial para modificar a disponibilidade desses recursos e interferir na dinâmica dos ambientes ocupados.
Espécie chegou à América do Sul no século passado
Originário do subcontinente indiano, o cervo-axis ocorre naturalmente principalmente em países como Índia, Nepal, Sri Lanka e Butão.
A espécie foi introduzida na América do Sul na década de 1930, inicialmente no Uruguai e na Argentina, para fins ornamentais e de caça. Com o passar das décadas, os animais se espalharam pela região.
No Brasil, o primeiro registro oficial ocorreu em 2009, no Rio Grande do Sul.
Ambiente favorece adaptação
Em sua área de ocorrência natural, o chital vive em florestas secas, regiões abertas e locais com vegetação rasteira. A existência de ambientes com características semelhantes no Sul do Brasil favorece sua adaptação.
O cervo-axis tem hábitos principalmente crepusculares, com maior atividade ao amanhecer e ao entardecer. Sua alimentação é composta sobretudo por capim, folhas, flores e frutos encontrados no solo.
A ausência de pesquisas específicas sobre a espécie no Brasil ainda limita a avaliação da dimensão dos impactos provocados por sua expansão. Por enquanto, possíveis efeitos sobre animais nativos e a vegetação são tratados como hipóteses ecológicas que precisam ser investigadas.






