Política

Fachin solicita a Mendonça o levantamento do sigilo no caso do Banco Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) ao ministro André Mendonça, relator do caso, que levante o sigilo de todos os procedimentos da investigação do Banco Master. As exceções serão apenas as diligências cujo sigilo seja “imprescindível” à realização da medida.

Fachin também determinou que Mendonça envie à Presidência e aos gabinetes de todos os ministros, em HD próprio, a íntegra dos procedimentos contidos ou relacionados ao caso. A decisão foi tomada porque a Petição 16.662, formada a partir da Pet 15.556, entrou no calendário da sessão extraordinária de 15 de setembro.

“Tendo em vista a inclusão da Pet 16.662 em calendário de julgamento na sessão extraordinária de 15 de setembro de 2026 e considerando que a Pet 16.662 foi formada a partir da Pet 15.556, solicita-se ao eminente ministro André Mendonça (relator da Pet 15.556), a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556, bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”, diz o despacho de Fachin.

Escalada da crise

A crise no STF teve início após Mendonça levantar o sigilo de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O relatório da Polícia Federal reuniu 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número identificado como pertencente a Moraes entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou dupla nulidade do processo, sustentando que Mendonça não poderia ter determinado diretamente à PF o aprofundamento da apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário ou iniciativa do Ministério Público. Moraes, por sua vez, pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade.

Nesta semana, a crise escalou quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino reintegrou os dois aos cargos. Fachin suspendeu ambas as decisões, afirmando haver ordens conflitantes dentro da Corte, e concentrou a análise do caso na Presidência.

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