Copom deve cortar Selic para 13,75% nesta semana

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta semana, levando os juros básicos de 14% para 13,75% ao ano. A desaceleração da inflação e os sinais de perda de força da economia sustentam a projeção.
A maior dúvida do mercado está nos próximos passos do Banco Central. Enquanto parte dos economistas considera possível uma sequência de cortes até dezembro, outros avaliam que o Copom poderá interromper o movimento após a reunião de setembro.
Os dados mais recentes reforçaram os argumentos para uma redução dos juros. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre ficou abaixo das projeções, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%.
Na inflação, o IPCA de agosto mostrou desaceleração mais disseminada, inclusive em indicadores acompanhados pelo mercado para avaliar a tendência dos preços.
Mercado diverge sobre próximos cortes
Para Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, os últimos indicadores mudaram a avaliação da instituição. A projeção passou a considerar cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões até o encerramento do ano.
Outros economistas adotam uma postura mais cautelosa. Claudio Ferraz, economista da Galapagos Capital, também considera a redução de setembro como o cenário mais provável, mas aponta que a conjuntura exige cautela para os movimentos seguintes.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, projeta a Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026, o que significaria uma interrupção dos cortes após setembro. Entre os fatores citados estão as incertezas relacionadas ao processo eleitoral.
Cenário fiscal entra no radar
As contas públicas seguem como um dos principais pontos de atenção do mercado. Economistas acompanham as propostas dos candidatos para despesas, regras fiscais e condução da política econômica a partir do próximo governo.
Bittencourt avalia que o cenário fiscal deverá ficar mais claro depois da eleição, quando o presidente eleito começar a apresentar as primeiras diretrizes econômicas.
Arnaldo Lima, da Polo Capital, também aponta que a discussão sobre gastos públicos e regras fiscais estará entre os desafios do próximo governo.
Cenário externo também pesa
Fatores internacionais aumentam a cautela em relação à trajetória da inflação. O fortalecimento do fenômeno El Niño pode afetar os preços dos alimentos, enquanto as tensões no Oriente Médio mantêm pressão sobre o mercado de petróleo.
Nesse ambiente, a tendência é de que o Copom adote uma comunicação cautelosa e evite indicar antecipadamente qual será sua decisão nas próximas reuniões.
Em relatório, o Itaú considera que o Banco Central deverá manter aberta a possibilidade de novos ajustes, condicionando as decisões à evolução dos indicadores econômicos.
O corte de 0,25 ponto percentual nesta semana é tratado como o cenário mais provável pelo mercado. A continuidade da redução dos juros dependerá, principalmente, do comportamento da inflação, da atividade econômica, das contas públicas e do cenário internacional nos próximos meses.






