IA aponta favoritos ao Nobel de 2026 e nomes coincidem com lista de cientistas de destaque

Faltando poucos dias para o anúncio dos vencedores do Prêmio Nobel de 2026, a inteligência artificial também entrou no campo das apostas. Nove sistemas foram consultados pela Deutsche Welle (DW) para apontar quem poderá receber uma das principais distinções mundiais — e alguns nomes apareceram com frequência.
Participaram da consulta Africa GPT, ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini, Grok, Meta AI e Mistral. O levantamento também foi publicado pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (30).
O maior consenso apareceu no Nobel de Fisiologia ou Medicina. Seis dos nove sistemas relacionaram suas escolhas às pesquisas sobre o GLP-1, hormônio envolvido no metabolismo, na regulação da glicose e no controle do apetite.
Cinco deles apontaram os mesmos três pesquisadores: Daniel J. Drucker, da Universidade de Toronto; Jens Juul Holst, da Universidade de Copenhague; e Svetlana Mojsov, da Universidade Rockefeller.
Os trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores ajudaram a revelar a ação biológica do GLP-1 e abriram caminho para o desenvolvimento de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, atualmente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Aposta ganha força com lista científica
Um detalhe torna a coincidência ainda mais interessante: Drucker, Holst e Mojsov também estão entre os Citation Laureates 2026, anunciados pela Clarivate.
A seleção reconhece pesquisadores responsáveis por trabalhos de grande influência científica e utiliza dados de citações acadêmicas combinados à análise especializada.
Segundo a Clarivate, os três foram escolhidos pela identificação e caracterização do GLP-1 e pelos estudos sobre sua atividade biológica.
A lista não representa uma indicação oficial ao Nobel e não tem ligação com os comitês responsáveis pela premiação. Ainda assim, os Citation Laureates costumam despertar atenção por destacar pesquisadores responsáveis por trabalhos de grande impacto internacional.
Física e Química também apresentam coincidências
Na Física, quatro dos nove sistemas consultados pela DW apontaram Nicola A. Spaldin, professora da ETH Zurique.
A pesquisadora é referência nos estudos sobre materiais multiferroicos, capazes de combinar propriedades magnéticas e elétricas. Spaldin também integra a relação de Citation Laureates da Clarivate em 2026 por suas contribuições teóricas nessa área.
Já na Química, cinco sistemas apostaram em David R. Liu, pesquisador ligado à Universidade Harvard e ao Broad Institute.
Liu é reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento de tecnologias de edição genética de precisão, entre elas o base editing e o prime editing, que permitem realizar alterações específicas no DNA.
O pesquisador também aparece entre os Citation Laureates de 2026 na área da Química.
Can Xue lidera as apostas na Literatura
Na Literatura, o nome mais repetido foi o da escritora chinesa Can Xue, pseudônimo de Deng Xiaohua.
Ela recebeu cinco das nove indicações feitas pelas inteligências artificiais. Nascida em 1953, a autora é conhecida por sua literatura experimental e há vários anos aparece em especulações internacionais sobre possíveis vencedores do Nobel.
Ao contrário das áreas científicas, porém, não existe um indicador baseado em citações acadêmicas que permita uma comparação semelhante. O processo da Academia Sueca permanece cercado de sigilo, e os nomes considerados não são divulgados antecipadamente.
Nobel da Paz revela limitações das IAs
A maior divergência apareceu no Nobel da Paz.
Os sistemas apresentaram nomes e organizações diferentes, entre eles a ativista Greta Thunberg, a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican) e a organização russa Memorial.
As respostas também expuseram uma importante limitação dos modelos de inteligência artificial: tanto a Ican quanto a Memorial já receberam o Nobel da Paz — em 2017 e 2022, respectivamente.
Isso demonstra que os chatbots conseguem identificar padrões, nomes recorrentes e pesquisas amplamente citadas a partir das informações disponíveis, mas não possuem acesso privilegiado ao processo de escolha dos vencedores.
Coincidência chama atenção, mas não antecipa resultado
O ponto mais interessante do levantamento, portanto, não está em tentar prever quem ganhará o Nobel, mas na convergência entre fontes distintas.
Drucker, Holst e Mojsov aparecem tanto entre as principais escolhas dos sistemas de IA quanto entre os pesquisadores destacados pela Clarivate. O mesmo ocorre com Spaldin e Liu.
Isso não significa, contudo, que algum deles será premiado. A escolha dos vencedores cabe exclusivamente às instituições responsáveis pelo Nobel e permanece em sigilo até os anúncios oficiais.
A partir de 5 de outubro, quando começa a divulgação dos premiados, será possível descobrir se alguma das apostas feitas pelas inteligências artificiais se confirmou.
Até lá, os nomes indicados funcionam mais como um retrato dos cientistas, escritores e pesquisas que estão em evidência internacionalmente do que como uma antecipação do resultado.






