Cultura

Morre Bagre Fagundes, coautor do Canto Alegretense

Euclides Fagundes Filho, o Bagre Fagundes, morreu neste domingo, 2 de agosto de 2026, em Porto Alegre. Ele tinha 86 anos e estava internado no Hospital Ernesto Dornelles desde maio, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória ao se engasgar em casa. A morte foi confirmada pelo filho Ernesto Fagundes.

Integrante do grupo Os Fagundes — formado por artistas da mesma família —, Bagre deixa um dos legados mais duradouros da música regional sul-rio-grandense. Nascido em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939, foi criado em Alegrete, cidade que marcaria para sempre sua trajetória artística.

O verso que atravessou gerações

Em parceria com o irmão Nico Fagundes, Bagre assinou o Canto Alegretense, considerada uma das canções mais emblemáticas do cancioneiro nativista gaúcho. Os versos “Não me perguntes onde fica o Alegrete. Segue o rumo do teu próprio coração” tornaram-se referência para gerações de gaúchos dentro e fora do Estado.

Outra composição de peso é “Origens”, que serviu de tema de abertura do programa Galpão Crioulo por quase 40 anos — uma das marcas mais reconhecíveis da televisão gaúcha.

Vida além dos palcos

A trajetória de Bagre Fagundes foi marcada por múltiplas facetas. Formado em Direito pela Universidade de Cruz Alta, atuou também como advogado, vereador em Alegrete, bancário, árbitro de futebol e colunista do Diário Gaúcho. Presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, reforçando seu compromisso com a preservação da cultura regional.

Filho de Euclides Fagundes (1899–1981) e Florentina Fagundes (1902–1990), cresceu ao lado de seis irmãos e cinco irmãs. O apelido “Bagre” foi dado pelo irmão João Batista ainda na infância. Casou-se com Marlene Vilaverde em 1962 e teve quatro filhos: Neto, Ernesto, Luciana e Paulinho — sendo Neto e Ernesto também cantores, mantendo viva a tradição familiar.

Início de carreira e legado

Os primeiros passos na música foram dados nos programas da Rádio Cultura de São Borja. De lá, Bagre construiu uma carreira que atravessou décadas, palcos e gerações, sempre com a identidade gaúcha como fio condutor.

Com sua morte, o Rio Grande do Sul perde um dos guardiões mais dedicados de sua cultura. O legado de Bagre Fagundes, no entanto, permanece vivo — gravado em discos, cantado em galpões e repetido por quem ainda segue o rumo do próprio coração.

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