Cientistas descobrem estrela mais rápida já registrada na Via Láctea

Um grupo de astrônomos descobriu S301, a estrela mais rápida já registrada na Via Láctea — ou fora dela. A estrela orbita o buraco negro supermassivo Sagitário A* (Sgr A*), no centro da nossa galáxia, atingindo 25.000 quilômetros por segundo no ponto de maior aproximação, o equivalente a 8% da velocidade da luz ou 100 mil vezes a velocidade de um avião de carreira. O estudo foi publicado na revista Nature em 19 de agosto de 2026.
S301 foi detectada no Observatório Paranal, no norte do Chile, com o interferômetro do Very Large Telescope (VLTI) e seu instrumento GRAVITY+. O VLTI combina a luz de quatro telescópios de oito metros para criar um “telescópio virtual” com resolução espacial 15 vezes superior à de um único telescópio de oito metros. Os cientistas observaram a estrela pela primeira vez na primavera de 2023 e a acompanharam para determinar sua órbita.
Órbita sem precedentes
A estrela percorre uma trajetória altamente elíptica e leva 8,7 anos para completar uma volta ao redor do Sgr A*. Em sua maior aproximação, fica a uma distância equivalente a 11,5 a 12 vezes a distância da Terra ao Sol — o que os pesquisadores descrevem como sem precedentes. Nenhuma outra estrela conhecida orbita tão perto do buraco negro central da Via Láctea.
S301 tem mais massa e é mais brilhante que o Sol, mas no céu aparece dois bilhões de vezes menos brilhante que Betelgeuse, a estrela laranja da constelação de Órion.
“O especial desta estrela é que ela orbita Sagitário A* em uma órbita muito fechada, demorando apenas 8,7 anos para completá-la, e se aproxima do buraco negro a apenas 12 vezes a distância da Terra ao Sol. Isso é algo sem precedentes.”
A declaração é de Felix Mang, estudante de doutorado no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE) e coautor do estudo.
Janela para Einstein e para o espaço-tempo
A descoberta interessa à física além da astronomia. Segundo os pesquisadores, S301 poderia permitir determinar, em uma década, a rotação do Sgr A* e pôr à prova a teoria de Albert Einstein sobre o espaço-tempo em um ambiente extremo.
“Por orbitar tão perto de Sagitário A*, S301 abre uma nova janela para estudar as propriedades fundamentais do espaço-tempo neste entorno extremo de buracos negros.”
A afirmação é de Reinhard Genzel, diretor do MPE em Garching, Alemanha, e membro fundador da colaboração responsável pelas observações. Genzel é coganhador do Nobel de Física de 2020 pela descoberta do buraco negro central da Via Láctea.
“Décadas seguindo cuidadosamente as estrelas que orbitam o buraco negro central da nossa galáxia, Sagitário A*, levaram à descoberta revolucionária desta estrela promissora.”
Sem risco de ser engolida
O Sgr A* tem cerca de 4 milhões de vezes a massa do Sol e está localizado a 26 mil anos-luz da Terra. Embora esteja em estado de quiescência, sua atração gravitacional é intensa o suficiente para engolir estrelas que se aproximassem demais. S301, porém, deve permanecer a salvo.
“A orientação da órbita mudará, mas a estrela não corre o risco de ser engolida.”
A garantia é do astrofísico Stefan Gillessen, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, também autor da pesquisa. Gillessen acrescentou que S301, ao que tudo indica, originalmente fazia parte de um sistema binário e estava gravitacionalmente ligada a uma estrela companheira.






