Ciclone extratropical deixa 27 mil sem energia no Rio Grande do Sul

A passagem de um ciclone extratropical pelo Rio Grande do Sul na quinta-feira (20) causou estragos em diversas cidades do estado. Os fortes ventos durante a madrugada derrubaram a rede elétrica e, até a manhã desta sexta-feira (21), ainda havia cerca de 27 mil clientes sem energia.
As cidades mais afetadas são Três Cachoeiras e Terra de Areia, no Litoral Norte, ambas com mais de 5 mil clientes sem luz. Em Porto Alegre, cerca de 4 mil consumidores ficaram sem energia.
Formação e deslocamento do sistema
Segundo a Climatempo, o ciclone extratropical se intensificou junto com uma frente fria que provoca transtornos no estado desde quarta-feira (19). Conforme o sistema se desloca, causa mudanças nas condições do tempo em todas as regiões gaúchas. A partir desta sexta, o ciclone se afasta em direção ao oceano, mas o vento se intensifica com rajadas entre 60 e 80 km/h na metade Leste e na Campanha. A massa de ar frio avança e derruba as temperaturas, com mínimas previstas entre 3°C e 14°C no estado.
Rios acima da cota e prejuízos na região Sul
A chuva que atingiu Pelotas em 30 dos últimos 40 dias deu trégua nesta sexta, mas o excesso de água mantém rios acima do nível normal em diferentes municípios da Região Sul. O acumulado chegou a 421 milímetros, volume considerado praticamente o dobro do esperado para julho e agosto. Em Canguçu, a prefeitura estima prejuízos de R$ 18,4 milhões.
Em Quaraí, na Fronteira Oeste, o Rio Quaraí atingiu 9,62 metros na manhã desta sexta — acima da cota de inundação de 9,50 metros, superada por volta das 3h. Uma pessoa já precisou deixar a residência. A Defesa Civil estima que o rio deva subir mais 50 centímetros, o que pode afetar outras 16 famílias, que devem ser retiradas preventivamente.
Em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai, o rio começou a baixar, mas segue acima da cota de inundação. Desde o início da cheia, cerca de 40 famílias precisaram deixar as residências e parte delas ainda não conseguiu retornar. Free shops instalaram barreiras de areia para evitar a entrada da água. A agricultura foi afetada, com perdas nas produções de pêssego, morango, trigo, canola e fumo.
As aulas foram retomadas na área urbana de Jaguarão, mas seguem suspensas na zona rural devido às condições das estradas. Os impactos deixaram cerca de 2,7 mil estudantes sem transporte escolar.






