Carne brasileira será vetada pela União Europeia a partir de setembro

A decisão foi assinada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e publicada nesta sexta-feira (5). O veto abrange carne bovina, carne de frango, pescado e mel brasileiros e entra em vigor em 3 de setembro de 2026.
O motivo é o descumprimento das regras europeias sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. A legislação do bloco proíbe substâncias usadas para estimular o crescimento dos animais e veta antibióticos essenciais para tratamentos humanos na criação de rebanhos.
Único excluído
O Brasil foi o único país retirado da lista. Nações como Armênia, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tanzânia, Tunísia, Uganda e Uzbequistão mantiveram a habilitação após apresentarem documentação considerada satisfatória. Argentina, Paraguai e Uruguai — demais integrantes do Mercosul — também seguem autorizados a exportar para o bloco.
Segundo o documento da Comissão, o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes de que cumprirá as exigências sanitárias dentro do prazo.
“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos.”
Governo sabia das dificuldades
Documentos internos do Ministério da Agricultura obtidos pela Folha de S.Paulo mostram que o governo já tinha conhecimento do problema. Em parecer de março, técnicos do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal concluíram que os mecanismos de controle do país eram insuficientes.
“Os controles atualmente descritos (…) não são suficientes para atendimento do pleito europeu, na medida em que se apoiam predominantemente em autocontroles e em registros gerados pela própria cadeia produtiva, com forte componente de autodeclaração do operador”, afirma o parecer.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou portarias restringindo parte dos medicamentos questionados. As normas, porém, permitiram que empresas utilizassem estoques existentes por até 180 dias — prazo que se estende além da data-limite europeia. A Comissão concluiu que as informações enviadas pelo Brasil não foram suficientes para comprovar o atendimento integral às regras.
Impacto estimado
Representantes do setor estimam perdas próximas de US$ 2 bilhões por ano nas exportações brasileiras para a Europa. Atualmente, o país exporta ao bloco carne bovina, frango, peixes, embutidos, mel e cavalos vivos.






