Calor torrencial coloca Europa em alerta máximo: previsão de 44°C

A Europa enfrenta sua segunda onda de calor em menos de um mês, com picos de até 44°C previstos no sudoeste da França e alerta vermelho ativo em Paris, Roma e parte do Reino Unido. Quase 40 pessoas morreram afogadas na França desde 18 de junho, segundo o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, que classificou o número como uma “triste chaga” em reunião de crise.
Recordes quebrados e novos em risco
Na segunda-feira (22), a França bateu o recorde de temperatura média para um mês de junho, chegando a 29,2°C, e na madrugada de terça registrou a noite mais quente da história, com média de 21,6°C, segundo o serviço meteorológico Météo France. Com isso, 90% dos habitantes franceses vivem em áreas sob alerta vermelho ou laranja.
No Reino Unido, parte do sul está em alerta vermelho. O órgão meteorológico britânico Met Office avalia que o recorde histórico de 35,6°C para junho — registrado em Southampton em 1976 — pode ser superado nos próximos dias. A Itália declarou nível máximo de alerta em 15 cidades, incluindo Roma e Milão, com previsão de ampliar para 16 na quarta-feira.
Mortes e busca por água
Dois irmãos de 2 e 4 anos foram encontrados sem vida dentro do carro da família em Carpentras, no sudeste francês, na segunda-feira. Três idosos também morreram em residências no sudoeste do país. Rios, piscinas, canais e lagos tornaram-se destinos de multidões que tentam se refrescar — em Bruxelas, moradores ocuparam a fonte do Parque do Cinquentenário.
“Sou cardiopata, sou diabético e sinto muito isso. Está muito mais difícil dormir e, para mim, até respirar”, disse José Farré, 76 anos, morador de Barcelona.
Por que o calor é tão intenso
O fenômeno é classificado como um bloco ômega — uma protuberância de ar quente no centro da Europa com ar mais frio nas laterais, que se move muito lentamente. “Ela está puxando ar quente do Norte da África, do Saara, e é por isso que temos esse calor tão intenso. Não há vento, nenhuma brisa para aliviar”, explicou Clair Barnes, pesquisadora associada sobre clima extremo do Imperial College de Londres.
Segundo o consenso científico, a mudança climática provocada pela atividade humana intensifica fenômenos como este. O episódio atual é comparado à onda de calor de agosto de 2003, que deixou mais de 70.000 mortos na Europa ao longo de duas semanas. A previsão é que as temperaturas elevadas se mantenham até o fim do fim de semana.
Autoridades recomendam que crianças, gestantes, doentes crônicos e idosos redobrem a vigilância, além de orientar a população a se hidratar, usar roupas leves e evitar deslocamentos nas horas de pico. A Prefeitura de Madri abriu um “abrigo climático” para pessoas em situação de rua, oferecendo água, alimentos e instalações de higiene nas horas mais quentes.






