FDA aprova novo medicamento para Parkinson com ação inédita sobre dopamina

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou o Juvmo (tavapadon) para o tratamento da doença de Parkinson em adultos. A autorização foi concedida em 25 de setembro de 2026, e o medicamento deve começar a ser comercializado nos Estados Unidos ainda em outubro.
Produzido pela farmacêutica AbbVie, o tavapadon é administrado por via oral uma vez ao dia e pode ser utilizado sozinho ou em associação com a levodopa, conforme avaliação médica.
A principal novidade está no mecanismo de ação. O medicamento atua seletivamente nos receptores D1 e D5 da dopamina, diferentemente de outros agonistas dopaminérgicos usados no tratamento do Parkinson, que atuam principalmente nos receptores D2 e D3.
A dopamina é fundamental para o controle dos movimentos. No Parkinson, a redução progressiva dessa substância está relacionada a sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos e alterações no equilíbrio.
Estudos mostraram melhora no controle dos sintomas
A aprovação foi baseada nos estudos clínicos do programa TEMPO, realizados com pacientes em diferentes fases da doença.
No estudo TEMPO-3, realizado com 507 adultos que já utilizavam levodopa, o tavapadon aumentou em média 1,7 hora por dia o período “on”, quando os sintomas estão mais controlados, e reduziu em cerca de 1,9 hora o período “off”, quando o efeito do tratamento diminui e os sintomas voltam a aparecer.
Os estudos também apontaram melhora na função motora e nas atividades do dia a dia em pacientes com Parkinson em estágio inicial.
Não é cura para o Parkinson
O tavapadon não cura o Parkinson nem interrompe comprovadamente a progressão da doença. A proposta é ampliar as opções de tratamento e melhorar o controle dos sintomas.
Entre os efeitos adversos registrados estão náusea, dor de cabeça, tontura e fadiga. Em pacientes que utilizavam o medicamento associado à levodopa também ocorreram casos de discinesia, alucinações e queda da pressão arterial.
Ainda sem previsão para o Brasil
A aprovação vale, por enquanto, apenas para os Estados Unidos. No Brasil, o Juvmo ainda não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não há previsão oficial para sua chegada ao mercado nacional.
Mais de 11 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo. A doença é neurológica, crônica e progressiva e pode provocar, além dos sintomas motores, alterações no sono, humor, olfato e outras funções do organismo.






