
O ex-prefeito de Lajeado Marcelo Caumo foi preso temporariamente nesta quinta-feira (26) em operação da Polícia Federal que apura desvio de recursos federais. A investigação envolve contratos firmados com verba do Fundo Nacional de Assistência Social.
A ação é desdobramento de uma operação realizada em novembro de 2025, quando o ex-prefeito já havia sido alvo de mandados.
A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período. A decisão foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com o objetivo de evitar combinação de versões e eventual destruição de provas.
Recursos da assistência social
O inquérito apura supostas irregularidades na aplicação de verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), parte delas repassadas ao município de Lajeado, no Vale do Taquari.
Segundo a investigação, há indícios de direcionamento na contratação de empresa terceirizada para prestação de serviços como:
- Psicólogo
- Assistente social
- Educador social
- Auxiliar administrativo
- Motorista
A contratação ocorreu por dispensa de licitação, com base em decreto de calamidade pública após enchentes no município.
Valores sob análise
Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta indícios de que a empresa investigada teria sido contratada sem comprovação da proposta mais vantajosa. Também há suspeita de valores acima do mercado.
O montante dos contratos analisados soma cerca de R$ 120 milhões.
Os investigados respondem por suspeita de:
- Desvio de verbas públicas
- Irregularidades em licitações e contratos administrativos
- Lavagem de dinheiro
Dinheiro em espécie
Durante cumprimento de mandados anteriores, policiais encontraram R$ 411 mil em espécie em um cofre no escritório onde Caumo atuava como advogado antes de assumir a prefeitura. A origem do valor é apurada.
Em depoimento prestado em novembro, o ex-prefeito afirmou que não favoreceu empresas nos contratos. Dois dias após aquela operação, ele deixou o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, função que exercia no governo do Estado.
Outros alvos
Na operação desta quinta-feira:
- Uma empresária ligada à empresa investigada foi presa
- Uma vereadora de Encantado foi afastada do cargo
Ao todo, são cumpridos mandados em 20 endereços nas cidades de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
A Justiça também determinou o sequestro de veículos e o bloqueio de ativos de até R$ 5 milhões.
Contraponto
A defesa de Marcelo Caumo ainda não se posicionou publicamente sobre o assunto e o espaço está aberto para manifestação.






