Mundo

Papa Leão XIV pede que IA seja ‘desarmada’ para não dominar o ser humano

O papa Leão XIV apresentou pessoalmente, nesta segunda-feira, 25 de maio, sua primeira encíclica do papado durante um evento no Vaticano — uma quebra de tradição. O documento, intitulado ‘Magnifica Humanitas’ (‘Humanidade magnífica’), pede que a inteligência artificial seja ‘desarmada’ para ‘evitar que domine o ser humano’.

Entre os presentes estava Christopher Olah, cofundador da Anthropic, empresa de IA sediada nos Estados Unidos que já entrou em conflito com o governo de Donald Trump. Leão XIV havia declarado, logo após ser eleito pelo conclave de cardeais em maio do ano passado, que considerava a IA a maior ameaça à humanidade.

O que diz a encíclica

No documento, o papa afirma que a IA ‘alimenta a lacuna entre os incluídos e os excluídos’ e que a ‘cultura do poder’ impulsiona o avanço desenfreado da tecnologia. A encíclica insiste que a IA ‘não pode ser considerada moralmente neutra’ e destaca o papel da educação para aprender a administrar os riscos de máquinas inteligentes.

Leão também argumenta que a tecnologia contribui para a ‘normalização da guerra’, citando ‘um preocupante ressurgimento dos conflitos como instrumento da política internacional’. O documento registra o uso da IA em conflitos no Irã, em Gaza e na operação militar americana para capturar o ex-ditador Nicolás Maduro na Venezuela.

“O desenvolvimento e o uso da IA na guerra devem estar sujeitos às mais rigorosas restrições éticas, para garantir o respeito à dignidade humana e à santidade da vida e para evitar uma corrida para o desenvolvimento de tais armas.”

Poder fora dos Estados

Em passagem dirigida ao Vale do Silício, o papa alertou que o controle sobre sistemas digitais, infraestrutura e dados ‘não reside nos Estados, mas nos principais atores econômicos e tecnológicos’. Quando esse poder se concentra nas mãos de poucos, adverte o documento, tende a ‘tornar-se opaco e a escapar’ ao controle democrático.

Publicidade
Botão Voltar ao topo