Mais do que combater incêndios, a maior missão dos bombeiros é salvar vidas

Nesta quinta-feira, 2 de julho, é celebrado o Dia do Bombeiro, data que homenageia os profissionais que dedicam suas vidas à proteção da comunidade. Atuando em situações de emergência, eles têm a missão de preservar vidas, proteger o patrimônio e cuidar do meio ambiente, desempenhando funções que vão muito além do combate a incêndios.
O bombeiro civil Loivo Castoldi Dezordi conhece bem essa realidade. Com anos de atuação na corporação, ele destaca que a profissão exige preparo físico, conhecimento técnico, disciplina e, acima de tudo, comprometimento com o próximo.
Um sonho de infância
A escolha pela carreira surgiu ainda na infância. “Sempre foi um sonho. Eu gostava de ver os filmes, as viaturas passando e ouvir o som das sirenes. O fardamento dos bombeiros também me chamava a atenção. Foi uma admiração que começou cedo e acabou se transformando em profissão”, relata.
Embora o combate a incêndios seja a atividade mais lembrada pela população, o trabalho diário da corporação é muito mais amplo. Entre as ocorrências atendidas estão acidentes de trânsito, muitas vezes com necessidade de desencarceramento de vítimas, salvamento de animais, resgates aquáticos, salvamentos em altura, remoção de fontes de perigo e atendimento a pessoas presas em elevadores, entre outras situações.
A rotina no quartel também é marcada por preparação constante. O dia começa com a passagem de plantão, quando as equipes são informadas sobre as ocorrências registradas e as condições operacionais da corporação. Em seguida, são realizadas inspeções nas viaturas e equipamentos, além de treinamentos diários, limpeza de materiais e pequenas manutenções que garantem a prontidão para o atendimento de emergências.
Ao recordar momentos marcantes da carreira, Loivo, que é pai de dois filhos, afirma que as ocorrências envolvendo jovens vítimas de acidentes graves estão entre as mais doloridas. “Lembro de uma ocorrência logo no início da minha trajetória e de outras envolvendo acidentes com mortes. São situações difíceis, a gente se coloca no lugar das famílias. São fatos que permanecem na memória de qualquer bombeiro”, afirma.
Atender acidente com crianças é doloroso
Para o 1º sargento Nilton Marcos Gerevini, uma das partes mais difíceis da profissão também é atender acidentes de trânsito envolvendo crianças. Natural de Fontoura Xavier e morador de Arroio do Meio há cerca de 30 anos, ele é oriundo da Brigada Militar e atua como bombeiro militar há seis anos. “É muito difícil, complicado para todos que atendem. Esse tipo de ocorrência é o que mais comove na nossa profissão”, afirma.
Segundo Gerevini, a escolha pela profissão está ligada ao compromisso de fazer o bem. “É uma profissão nobre. Tem que se dedicar, tem que gostar e fazer o bem ao próximo sem olhar a quem”, destaca.
Servir é a missão
O soldado Lucas Mariani Griesang, natural de Lajeado, também aponta a vocação como um dos principais motivos para seguir na carreira. Bombeiro desde 2020, ele afirma que a profissão une o desejo de ajudar à possibilidade de servir diretamente à sociedade.
“A gente tenta unir uma vocação a uma profissão. Nada melhor do que ser bombeiro para conseguir servir a sociedade”, relata.
Para Lucas, as ocorrências mais difíceis são aquelas que envolvem crianças ou situações em que, apesar de todos os esforços, já não há possibilidade de reversão. Segundo ele, o bombeiro trabalha para salvar, mas nem sempre tem controle sobre o desfecho. “A gente está ali lutando pela pessoa, mas sabe que pode chegar ao hospital e não ter mais volta. Isso é difícil”, conta.
A experiência também marca a trajetória de Sérgio Baronio, bombeiro comunitário natural de Anta Gorda. Ele ingressou na atividade inicialmente por curiosidade, após surgir a oportunidade de participar de um processo seletivo. Com o passar das etapas, percebeu que poderia construir uma carreira no serviço.
Hoje, próximo de completar 16 anos de atuação, Baronio afirma que o trabalho segue sendo gratificante. Ele reconhece que há ocorrências em que não é possível mudar o resultado, mas também há atendimentos em que a ação rápida da equipe evita perdas maiores.
“A cada atendimento, a cada pessoa que a gente socorre, é gratificante. Quando conseguimos salvar uma casa ou vidas em um acidente de trânsito, isso emociona”, afirma.
Salvar é emocionante
Baronio também destaca a parceria entre os colegas e a convivência diária no quartel. Para ele, a rotina cria vínculos fortes entre bombeiros civis, comunitários e militares.
Outro integrante ouvido pelo jornal foi o subcomandante Gustavo Dias, natural de Dom Pedrito. Oriundo da Brigada Militar, ele atuou por cinco anos como policial militar e há cinco anos é bombeiro militar. Em Encantado, trabalha há cerca de um ano.
Gustavo conta que escolheu a profissão pelo desejo de ajudar pessoas e atuar em uma área que fizesse diferença na vida da comunidade. Para ele, um dos momentos mais difíceis é tentar salvar uma vida e não conseguir. “É muito triste não poder ajudar. A gente faz o que pode, mas nem sempre consegue intervir. Esse momento fica marcado para sempre”, relata.
Os relatos mostram que o trabalho dos bombeiros vai além da técnica e da prontidão. A profissão exige preparo para agir em segundos, enfrentar situações de risco e lidar com perdas, sempre com foco em proteger vidas e atender a comunidade.
Prevenir antes de remediar
Além da resposta às emergências, a prevenção também faz parte da missão da corporação. Por isso, Loivo deixa orientações importantes à população.
Dentro de casa, ele recomenda atenção especial com crianças pequenas. Produtos de limpeza devem ser mantidos fora do alcance delas, assim como objetos cortantes. Também é importante evitar deixar panelas com cabos voltados para fora do fogão e recipientes com água quente em locais de fácil acesso.
No trânsito, a orientação é agir com responsabilidade diante de acidentes. “Se a pessoa presenciar um acidente, deve evitar parar em local inseguro ou reduzir excessivamente a velocidade apenas por curiosidade. O correto é estacionar em um local seguro e acionar os serviços de emergência pelos números 193, 192, 190 ou outros órgãos competentes. O mais importante é não criar novas situações de risco”, orienta.
Neste Dia do Bombeiro, a homenagem se estende a todos os profissionais que, diariamente, colocam seus conhecimentos e sua coragem a serviço da população, atuando com dedicação nas mais diversas situações de emergência e contribuindo para a segurança da comunidade.






