Política

Pedágios: Jonas Calvi reage após Loivo Dachery acusar prefeitos do Vale

A discussão sobre o futuro dos pedágios ganhou contornos mais duros em Encantado após Loivo Dachery, do movimento RS Pedágios Não, acusar prefeitos do Vale do Taquari de apoiar o atual processo envolvendo as rodovias. O prefeito Jonas Calvi reagiu e lembrou que Encantado convive há mais de 30 anos com uma praça de pedágio, contestando a acusação de omissão das lideranças locais.

O embate colocou frente a frente duas leituras sobre a situação. Dachery fez críticas ao governo do Estado, à Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e aos prefeitos da região. Calvi respondeu que Encantado está entre os municípios que carregam há décadas o impacto direto da cobrança e que as administrações locais têm atuado diante dos problemas de infraestrutura.

Dachery acusa prefeitos e eleva o tom

Durante sua manifestação, Dachery afirmou que poucos agentes políticos estariam apoiando o movimento contrário aos pedágios. Ele citou municípios e lideranças que teriam aderido a uma carta do grupo e passou a criticar os prefeitos que não assinaram o documento.

Em um dos momentos mais duros, afirmou que “todos os prefeitos do Vale do Taquari” estariam apoiando o que chamou de “máfia” dos pedágios.

Dachery também direcionou críticas a Jonas Calvi e acusou governos de retirarem centenas de milhões de reais da população por meio da cobrança.

As expressões “máfia”, “organização criminosa” e as acusações de “roubo” partiram de Dachery durante seu pronunciamento. A transcrição não apresenta documentos ou outros elementos que comprovem essas acusações, que devem ser entendidas como declarações do representante do movimento.

Encantado paga pedágio há mais de três décadas

Foi justamente a generalização contra os prefeitos que provocou a reação de Calvi.

O prefeito lembrou que a realidade de Encantado não começou com a atual discussão sobre concessões. O município convive há mais de três décadas com uma praça de pedágio e, na avaliação dele, esse histórico precisa ser considerado antes de se acusar as lideranças locais de não enfrentarem o problema.

“Nós aqui em Encantado, é mais de 30 anos que nós estamos sofrendo com uma praça de pedágio”, afirmou Calvi.

Na sequência, o prefeito incluiu vereadores de Encantado, Muçum e municípios da região alta entre os que historicamente convivem com os efeitos da cobrança.

“Ninguém que está aqui tem mais direito de brigar por esse pedágio do que o pessoal de Encantado”, declarou.

A resposta muda o centro da discussão. Em vez de debater apenas quem é contra ou favorável a uma concessão, Calvi colocou em pauta quem efetivamente vem pagando pedágio e convivendo com seus impactos há décadas.

“Ninguém tem o direito de dizer que não está sendo feito nada”

Calvi também rejeitou a acusação de inércia dos municípios.

Durante a resposta, citou ações tomadas pelas prefeituras diante dos problemas recentes na infraestrutura regional. Mencionou a participação de Encantado e Muçum em uma solução emergencial para a travessia entre as ERS-129 e ERS-130 e citou o trabalho da Prefeitura de Roca Sales na recuperação de estrada.

“Então ninguém tem o direito de vir aqui e dizer que não está sendo feito nada”, afirmou.

O prefeito também criticou cobranças feitas pelas redes sociais por pessoas que, segundo ele, não apresentariam alternativas concretas.

A fala foi direcionada diretamente a Dachery e elevou a temperatura da audiência.

Discussão chega ao “palanque político”

Antes da manifestação de Calvi, o microfone de Dachery havia sido cortado após ele ultrapassar o período destinado às falas.

A organização informou que cada participante tinha dois minutos. Dachery contestou e afirmou que não havia sido avisado sobre o limite. O responsável pela condução respondeu que a regra vinha sendo informada desde o início e que seria aplicada igualmente aos participantes.

Ao receber a palavra, Calvi acusou Dachery de transformar a discussão em disputa política.

“Se vocês querem transformar isso num palanque político, vamos transformar. Todos temos os nossos candidatos e todos vamos defender os nossos candidatos”, disse.

Dachery interrompeu: “Palanque pra quem?”.

Calvi manteve a crítica e afirmou que não admitiria o uso da situação enfrentada pelo município como plataforma política.

O ponto que ficou no centro da discussão

Apesar do bate-boca, a divergência expôs uma questão concreta para Encantado e os municípios da região alta: como tratar o futuro dos pedágios sem ignorar que parte da região já suporta essa cobrança há mais de 30 anos e, ao mesmo tempo, depende de investimentos pesados nas rodovias.

Na manifestação transcrita, Calvi não fala expressamente em free flow nem em cobrança proporcional ao trecho percorrido. Também não afirma, nesse trecho, que a rejeição ao novo modelo deixará Encantado sem obras. Atribuir essas frases diretamente ao prefeito seria extrapolar o que foi dito.

O argumento apresentado por ele é outro e está registrado: Encantado tem histórico de décadas pagando pedágio, as lideranças locais vêm atuando diante dos problemas rodoviários e, na visão do prefeito, não é aceitável que sejam tratadas como omissas por quem entrou mais recentemente na discussão.

No encerramento, Calvi voltou a defender uma atuação conjunta de vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais.

“O que a gente não precisa é palanque político, nós queremos resolver o problema”, disse.

O prefeito encerrou pedindo apoio às lideranças presentes e se desculpou pelos excessos durante a discussão.

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