Política

Autor do cadastro de pedófilos, Dziedricki quer retomar Banco do Câncer em Brasília

O ex-deputado federal Maurício Dziedricki, pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados, quer colocar duas pautas no centro de seu retorno à política: o cadastro de pedófilos e o Banco do Câncer. Em entrevista ao programa Em Tempo, do Jornal Força do Vale, ele detalhou os projetos e os motivos que o levaram a retomá-los.

Dziedricki acumula passagens como deputado estadual, vereador de Porto Alegre e cargos no Executivo municipal e estadual. É autor da legislação que criou o cadastro de pedófilos no Rio Grande do Sul e afirma querer ampliar a efetividade da medida, enfrentando entraves que, segundo ele, ainda limitam o acesso às informações.

Cadastro de pedófilos já é lei no RS

A legislação estadual criou uma base de dados relacionada a condenados por crimes sexuais contra crianças. O modelo de referência foi o adotado nos Estados Unidos, onde mecanismos permitem consultar informações sobre condenados que vivem em determinada região.

Dziedricki defende uma divulgação mais ampla desses dados para que pais e responsáveis possam saber da presença de condenados por crimes sexuais contra crianças em locais próximos de escolas, praças e outros ambientes frequentados por menores. Segundo ele, a aplicação da legislação ainda encontra limitações relacionadas à exposição dos dados e à privacidade dos condenados.

O pré-candidato afirmou que pretende levar o debate novamente a Brasília para buscar regras que deem maior efetividade ao cadastro.

Projeto do Banco do Câncer

A segunda pauta defendida por Dziedricki surgiu durante seu mandato como deputado federal, a partir de uma conversa com um médico e pesquisador do Grupo Hospitalar Conceição. Segundo ele, existem mais de mil tratamentos experimentais sendo estudados no Brasil, mas as informações ficam dispersas, dificultando que médicos e pacientes conheçam alternativas em desenvolvimento para diferentes tipos de câncer.

O Banco do Câncer pretende reunir, em uma mesma base, informações sobre protocolos experimentais registrados nos órgãos competentes, permitindo a consulta por profissionais da saúde e pacientes. A proposta avançou na Câmara durante seu mandato, mas não teve a tramitação concluída no Senado.

“Esse banco, esse projeto que eu estou apresentando, é para reunir todos esses protocolos para médicos e pacientes poderem acessar aquilo que está nos afligindo.”

Críticas a interesses econômicos

Ao tratar das dificuldades para o avanço do projeto, Dziedricki afirmou acreditar na existência de interesses econômicos em torno do setor de tratamentos oncológicos. Ele citou a indústria farmacêutica ao falar sobre quem se beneficia economicamente dos tratamentos e afirmou que pretende enfrentar o que classifica como “lobby” contrário ao avanço de alternativas e pesquisas.

O ex-deputado não apresentou, durante a entrevista, nomes de empresas ou organizações que teriam atuado diretamente para impedir a aprovação do projeto.

Experiência com câncer dentro da família

A retomada do projeto tem também uma motivação pessoal. Dziedricki contou que seu irmão, médico de 40 anos, foi diagnosticado com câncer de tireoide. O diagnóstico, segundo ele, atingiu toda a família e mudou sua percepção sobre o impacto da doença para além do paciente.

“O câncer não pega só o paciente, ele pega a família. Nós todos adoecemos.”

O ex-deputado também relatou o caso do pai de um conhecido que enfrentava um câncer de difícil tratamento. A família descobriu a existência de um protocolo experimental em Curitiba e precisou buscar viabilizar o acesso ao procedimento a partir de Passo Fundo. Para Dziedricki, situações como essa mostram a importância de concentrar as informações sobre pesquisas disponíveis no país, reduzindo a dependência de contatos pessoais para descobrir tratamentos em estudo.

“Eu quero voltar a Brasília porque eu não quero ver mais nenhuma família passar pelo que eu passei.”

Retorno à política

Dziedricki confirmou durante o Em Tempo que é pré-candidato a deputado federal e que pretende concentrar sua atuação em projetos de alcance nacional. O ex-parlamentar também relembrou sua relação com Encantado e citou recursos destinados ao município durante seus mandatos, incluindo investimentos na área da saúde, agricultura e custeio.

Para a nova disputa, indicou que o Banco do Câncer e o cadastro de pedófilos serão as principais pautas de sua campanha e de uma eventual atuação no Congresso Nacional.

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